Cidades MATEUS LEME
Moradores de Mateus Leme denunciam falta de água, luz e saneamento
População afirma viver sem diversos serviços básicos e relata situações difíceis pelas quais tem que passar
29/01/2022 15h25
Por: Redação Fonte: Alice Brito

Imagine morar em um bairro onde faltam iluminação pública, saneamento básico, e as ruas são de terra. Quando chove, as pessoas ficam sem poder sair de casa para trabalhar porque os ônibus atolam na lama. Além disso, falta água encanada. É desse modo que os moradores dos bairros Paraíso, Atalaia e Tiradentes, em Mateus Leme, na região metropolitana de BH, vivem.

Valcilene Henrique, de 63 anos, mora com o marido, de 72, e o neto, de 7, no bairro Paraíso. A família sobrevive com 3.000 litros de água concedidos pela prefeitura. Porém, quando o caminhão-pipa não passa, eles têm que se virar para não passar sede. “Temos que comprar água para não ficar sem”, diz ela. “Sobrevivemos com o salário mínimo do meu marido. E comprar água extrapola muito o orçamento”, desabafa.

E, por falar em orçamento, até conseguir ganhar dinheiro por lá é difícil, já que ir para o trabalho pode ser um desafio e tanto. 

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“Quando chove, os ônibus não passam pelos bairros Paraíso, Atalaia e Tiradentes. Eles atolam. Aí o jeito é colocar uma botina, sair de casa mais cedo e encarar o ‘mar de lama’ para conseguir chegar ao trabalho. A volta para casa é ainda pior, faltam postes nas ruas, temos que andar na escuridão,” diz a autônoma e moradora do bairro Atalaia, Paula Tomás, de 51 anos.

Situação crítica

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Na casa da moradora do bairro Tiradentes Madalena Costa, de 52 anos, quando o caminhão-pipa da prefeitura não passa, a situação fica crítica. Ela mora com o marido, de 54 anos, e os filhos, de 15 e 18. Para não passar sede, a família torce para chover. “Nos últimos dias, choveu muito, então guardamos o máximo de água que podíamos”, diz ela. “Usamos a água da chuva para lavar a roupa, fazer comida e também para beber,” conta.

A Prefeitura de Mateus Leme foi procurada presencialmente, por telefone fixo, celular e e-mail, mas a reportagem não obteve retorno. A Copasa diz que os locais citados são empreendimentos particulares, e a implantação de toda a infraestrutura envolvida, inclusive de água, é de responsabilidade do empreendedor. “Para que a Copasa possa assumir, é necessário que os órgãos de controle acionem a companhia”, afirma. Já a Cemig explica que, desde 2015, a responsabilidade pela iluminação pública é dos municípios.