Cidades AGRESSÃO NA ESCOLA
Polícia Civil conclui que criança de 3 anos foi agredida por outro aluno em escola de Brumadinho
O menino levou dois pontos na cabeça e teve machucados na boca, bochecha, testa e barriga
06/05/2022 21h16 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
A criança levou dois pontos na cabeça

A Polícia Civil concluiu, nesta sexta-feira (6), que a criança de 3 anos encontrada com diversos machucados pelo corpo na Emei Parque das Cachoeiras, em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, foi agredida por outro aluno com um brinquedo. 

“A Polícia Civil informa que a vítima foi submetida a exame de corpo delito, cujo laudo atestou as lesões sofridas. Após diligências e vários levantamentos, a investigação apontou tratar-se de um acidente escolar, onde outra criança agrediu a vítima enquanto dormia, utilizando-se de um brinquedo”, diz a nota divulgada pela instituição. 

Além disso, conforme as investigações, a criança que agrediu o menino foi encontrada por uma professora com a roupa suja de sangue. “O ato foi praticado, em um breve momento, enquanto a professora encaminhava os demais alunos ao refeitório para o lanche. Após o fato, a professora surpreendeu a criança, que praticou o ato, com as vestes manchadas de sangue”, acrescentou.

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Nessa quinta-feira (5), duas professoras e a diretora da instituição de ensino infantil foram afastadas para investigação do caso. 

“A decisão foi tomada no fim da tarde de quarta-feira (04/05) depois de uma longa reunião com uma equipe multidisciplinar, que contou com a participação dos responsáveis pelos alunos e de reuniões com representantes do Parque da Cachoeira. Ficou decidido também que o Município vai dar apoio médico e psicológico às crianças”, diz a nota publicada pela prefeitura da cidade. 

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Ainda na quinta, as imagens de câmeras da instituição foram encaminhadas à Polícia Civil. 

Mãe deu entrevista exclusiva à antes do resultado do inquérito 

O relato do médico do Instituto Médico Legal (IML) que atendeu a criança encontrada machucada na Emei Parque das Cachoeiras, em Brumadinho, na região Metropolitana de Belo Horizonte, reforçou a suspeita da mãe de que o menino não foi agredido por outro aluno da unidade infantil. Segundo ela, o médico contou ter ficado “horrorizado” ao ver os ferimentos da criança. 

Em entrevista à Itatiaia, a mãe da criança explicou que ele tem epilepsia, um atraso no desenvolvimento motor e faz acompanhamento com fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e neuropediatra. 

Na última terça-feira (3), por volta das 10h50, ela relatou ter recebido uma ligação pelo WhatsApp da Emei Parque das Cachoeiras, onde a secretária da unidade contou que o filho dela havia sofrido uma queda. Quando chegou ao local, ela descobriu que a criança estava no posto de saúde ao lado da escola. 

“Fui recebida por uma enfermeira que me disse que ele havia cortado a cabeça e logo a diretora me disse que ele havia caído”, disse. Porém, ao pegar a criança, ela percebeu que, além do corte na cabeça, ele estava com outras lesões na bochecha, testa, barriga e com os lábios cortados. 

Desconfiada, ela voltou a perguntar a diretora da unidade sobre o ocorrido, que novamente repetiu que ele havia caído. “Ela sustentou essa informação do tombo até a UPA. Com o encaminhamento da médica do posto, eu levei o meu filho até a UPA com o meu carro. Chegando lá, ele passou na triagem e logo foi para a sala do pediatra, onde o mesmo achou muito estranho o relato da diretora, pois, os hematomas não condiziam com uma queda”, explicou a mãe do menino. 

De acordo com ela, ele passou por exames de raio-x, recebeu dois pontos no machucado da cabeça e remédios para dor. “Mais ou menos às 15h o médico nos liberou para que a gente pudesse ir fazer o corpo de delito e, assim foi feito, passamos na Delegacia de Polícia Civil de Brumadinho e logo fomos encaminhados para o IML de Betim (a diretora e nem nenhum funcionário da prefeitura nos acompanhou durante esse trajeto). Meu filho fez o corpo de delito e o médico ficou horrorizado com o ocorrido”, disse. 

Conforme a mãe da criança, o médico relatou que a “possibilidade de uma criança da mesma idade fazer isso era pequena”. A direção da escola depois disse que o menino teria sido agredido enquanto dormia por outro aluno. 

“Chora por tudo”

A criança, que está matriculada na instituição desde o ano passado, nunca tinha reclamado da escola e gostava da rotina. “Ele pegava o uniforme para que eu pudesse colocar nele”, contou. No entanto, o comportamento dele mudou bastante após as agressões. “Ele tá com bastante medo, chora por tudo, não quer contato com outras pessoas e tem mostrado um comportamento agressivo. Ele sempre foi uma criança muito calma”, disse.

“Estou muito chateada com toda essa situação, com raiva e com um sentimento de impotência. É um misto de sentimentos, não tenho conseguido dormir e muito menos me alimentar. Quero que tudo isso seja resolvido o mais rápido possível e que não seja apenas mais um caso, quero que os responsáveis sejam responsabilizados”, acrescentou. 

De acordo com ela, na reunião realizada hoje com os pais e a Secretaria de Educação, responsáveis por outras duas crianças também relataram agressões.