
O motociclista Igor Felipe de Abreu Ferraz, de 25 anos, sofreu um corte no pescoço causado por uma linha com cerol, enquanto pilotava na avenida Edméia Matos Lazzarotti, no bairro Sítio Poções, em Betim. Segundo informações de familiares, o jovem passou por uma cirurgia e segue internado na enfermaria do Hospital Regional. O uso de cerol é proibido por lei.
À reportagem, Reginaldo Cássio Silvio da Cruz, de 30 anos, cunhado da vítima, contou que no sábado, por volta das 12h, a família foi informada do acidente pelo homem que socorreu Ferraz. “Assim que cheguei no local, as pessoas que presenciaram o acontecido me contaram que esguichava sangue do pescoço dele, mas que mesmo muito ferido ele tinha conseguido pedir socorro e já tinha sido levado para o hospital”, detalha o cunhado. Ainda de acordo com Cruz, pessoas nas imediações soltavam pipas e a família suspeita que a linha, muito longa e com cerol, seja advinda de uma delas. “O Igor tinha acabado de sair da nossa casa e estava indo trabalhar. Quantas vítimas mais serão necessárias para que as pessoas parem de usar isso (o cerol)?”
Ferraz passou por uma cirurgia no sábado e segue internado, segundo a família, uma avaliação médica deve ser feita ainda nesta segunda (09/05). “Ele ainda não pode falar, mas sabemos que o corte foi profundo e chegou a atingir a traquéia. Agora é esperar desinchar para que os médicos possam analisar melhor e saber se ele ficará com alguma sequela”, explica Reginaldo.
A Polícia Militar esteve no local do acidente, mas nenhum suspeito de ter utilizado a linha foi encontrado. O boletim foi encerrado na 3ª Delegacia de Polícia Civil de Betim. A reportagem aguarda a resposta da Polícia Civil sobre a investigação do caso.
“Gostaria de pedir que os pais não sejam permissivos quanto ao uso de linhas cortantes, que os motociclistas façam o uso de ‘anteninhas’ sempre, e que os órgãos municipais não deixem de fiscalizar os bairros de Betim”, pede Reginaldo.
Legislação
A Lei Municipal nº 6.252, de outubro de 2017, proíbe o uso de cerol ou qualquer linha cortante em locais públicos e privados. Quem descumpre a legislação pode pagar multa de até R$ 2.000 e, em caso de reincidência, o valor dobra.
Há também a Lei Estadual 23.515, de dezembro de 2019, que veda a “comercialização e o uso de linha cortante em pipas, papagaios e similares”, em Minas Gerais. A multa pode variar entre R$ 3.950 a até R$ 179 mil.
O uso ilegal das linhas pode ser denunciado pelos telefones 153, da Guarda Municipal, e 181, da Polícia Civil.
“Anualmente, fazemos a campanha contra o uso de cerol e linha chilena com blitzen educativas e ações de patrulhamento nos principais corredores de trânsito da cidade, com foco em abordagens e recolhimento de linhas cortantes e materiais afins. Nosso objetivo é conscientizar a população sobre essa prática perigosa e ilegal de soltar papagaios, bem como evitar acidentes, que podem ser fatais.
O cerol e a linha chilena são grandes causadores de acidentes envolvendo motociclistas, que são surpreendidos por esse tipo de material quando estão trafegando em via pública. Por isso, além de panfletos informativos, durante as abordagens, distribuímos antenas corta-pipa”, afirmou o comandante da Guarda Municipal de Betim, Anderson Reis.