
As investigações da Polícia Civil constataram que a morte do advogado criminalista, Alexandre Mauro Barra, de 34 anos, foi arquitetada por um amigo íntimo dele. O corpo da vítima foi encontrado concretado no quintal de uma casa no dia 20 de dezembro de 2022.
O amigo, de 35 anos, e outros quatro homens estão presos e foram indiciados por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Alexandre Mauro Barra, de 34 anos, foi morto no mesmo dia em que desapareceu – 13 de dezembro - após ser levado para o local do crime pelo amigo, segundo a PC. (Leia abaixo a cronologia dos fatos)
“Ele foi atraído por meio de emboscada pelo seu amigo até uma residência localizada no bairro Carmelo. Chegando na casa, o advogado foi rendido com o seu amigo, mas na verdade essa rendição era uma simulação. Porque depois que colocaram um pano na cabeça da vítima, o amigo ajudou também na execução do crime. [...] Lá [na casa] já estavam presentes mais três pessoas envolvidas no crime. Colocaram um cinto no pescoço dele [advogado] e ele foi enforcado”, disse a delegada Francielle Drummond durante entrevista coletiva, realizada nesta quarta-feira (18).

A delegada explicou que após matar a vítima enforcada, o corpo foi arrastado pela escada da casa, que tinha dois andares, e foi colocado no porta-malas de um carro e levado para uma outra casa, no bairro Independência, onde foi enterrado e concretado.
O laudo preliminar do Instituto Médico Legal apontou que a causa da morte teria sido traumatismo craniano, mas as investigações constataram que os ferimentos na cabeça foram causados após a morte no momento em que o corpo era arrastado pela escada.
As investigações concluíram também que o crime foi planejado e motivado por conta de agiotagem.
“A motivação do crime está relacionada com agiotagem já que o amigo pessoal da vítima intermediava todos os empréstimos com juros abusivos. Ele pegava o empréstimo com a vítima a juros de 10%, 20% e repassava para outros devedores a juros maiores de 40%. Ele foi o responsável por influenciar todos os outros envolvidos a criar a ideia de matar a vítima e com isso, teriam redução de dívidas e abatimentos de juros. Com isso, ele poderia ficar com todos os valores devidos à vítima naquele momento. [...] Ele era o maior interessado na morte, como negociava todos esses empréstimos, ele conhecia todo mundo que era devedor da vítima. Então matando, ele continuaria a receber todos esses valores”.
Segundo a PC, nenhum dos envolvidos tinham relação direta com a vítima e todos os empréstimos eram negociados por intermédio do amigo. A dívida de um deles chegava a R$ 200 mil. Entre os presos, somente um não havia feito empréstimo com a vítima e participou do crime com a promessa de receber uma grande quantia em dinheiro.
“Um dos envolvidos não tinha uma relação de dívida com a vítima. No entanto, foi prometido que caso ele participasse do crime, ele poderia ficar com todo o dinheiro da vítima que estava nas contas. O amigo teria informado que era cerca de R$ 400 mil. Depois que o advogado foi morto, inclusive, tentaram desbloquear o celular da vítima utilizando a face para sacar o dinheiro, mas a tentativa foi falha”, falou a delegada.
Amigo foi à delegacia com a família
De acordo com a Polícia Civil, o amigo chegou a ir na delegacia acompanhado da mãe e da namorada da vítima, quando o caso ainda era tratado como desaparecimento.
“Inclusive, ele as consolou falando que iria ajudar na localização do advogado”.
A delegada Francielle Drummond explicou ainda que o amigo foi a última pessoa vista com a vítima e, por isso, ele começou a ser investigado na condição de testemunha. Posteriormente, ao ser chamado para ser ouvido na delegacia, o depoimento dele levantou a suspeita dos investigadores.
“Quando perguntado se ele sabia o que ele estava fazendo na delegacia, ele informou que estava ali para depor a respeito do homicídio do Alexandre. Isso ascendeu um alerta da polícia porque a gente nem tinha conhecimento ainda que ele havia sido morto”.
“A polícia constatou que o amigo íntimo é uma pessoa fria, calculista, que fez tudo isso por dinheiro para ficar com o recebimento de valores de todos esses empréstimos. [...] Em suas declarações, ele tenta se esquivar da responsabilidade de execução do crime”.
Entenda a cronologia dos fatos
Durante a entrevista coletiva, a delegada Francielle Drummond detalhou a cronologia do crime. Veja abaixo:
12/12 - Os cinco envolvidos se reuniram para planejar o crime e individualizar a conduta de cada um. A ideia começou a ser arquitetada há dois meses.
13/12 às 10h -Vítima desaparece e é levada para a casa, no bairro Carmelo, onde ocorreu o crime.
13/12 por volta das 11h30 – Corpo do advogado é levado para uma outra residência, no bairro Independência, onde é enterrado no quintal.
13/12 durante a noite – Os suspeitos contrataram pedreiros que concretaram o quintal da casa. A PC constatou que os pedreiros não têm envolvimento com o crime.
14/12 - Carro do advogado é encontrado em um motel em Contagem e a polícia identifica dois homens que levaram o veículo.
16/12 - Um dos homens que levou o carro para Contagem – motorista de aplicativo- foi vítima de tentativa de homicídio, em Montes Claros. A motivação foi queima de arquivo. As investigações apontaram que este homem tinha uma dívida de cerca de R$ 40 mil com a vítima e também participou do crime. Ele está entre os cinco presos.
16/12 - Três homens foram presos pela tentativa de homicídio contra o motorista de aplicativo. Posteriormente, a polícia concluiu que eles também tinham envolvimento na morte do advogado.
18/12 - Dois dias depois, o corpo do advogado foi encontrado concretado no quintal de uma casa. Foi através desta ocorrência de tentativa de homicídio que a polícia conseguiu chegar até o local após o motorista indicar quem seriam os agressores e um deles contou onde o corpo estava.
29/12 - A prisão do último envolvido, que estava foragido, foi realizada no bairro São Jorge, em Uberlândia por volta das 15h do dia 29.