A capital mineira há tempos vem sofrendo com a falta do seu principal meio de transporte. Ora o metrô funciona ora não. Em primeiro lugar, é possível entender que a falta de funcionamento diário e regular está bastante ligada a um antigo e plausível pedido de socorro por parte daquelas pessoas que lá trabalham. É necessário entender que a reivindicação dos metroviários há justiça nela, tanto no cuidado e manutenção de seus postos de trabalho quanto na defesa de uma causa ainda mais nobre que é a preservação de uma empresa pública.
Da mesma forma, vale pensar na precariedade no transporte de massa de modo geral que no quesito qualidade está bem aquém da dignidade da população usuária que de uma maneira ou outra sofre diariamente durante sua locomoção.
Talvez se a eficaz no transporte viário existisse o nosso trânsito seria melhor e praticável, pois certamente o número de veículos particulares diminuiriam nas ruas.
Inegavelmente, contamos com um transporte caro e sem o mínimo de conforto necessário para que o cidadão escolha o como principal meio de transporte em sua movimentação. No Brasil o sistema de transporte chamado de público na verdade não tem nada desse adjetivo.
Dentre os meios transporte do nosso sistema chamado público, aquele feito por trilhos parece ser o mais eficiente para a população, mas a cada dia este também vai deixando de ser público. Isso pelo alto valor cobrado dos usuários e também pela tal privatização que o assola. A sensatez nos faz entender que o desleixo por parte do poder público tem objetivo bem voltado para a causa pessoal ou de grupos bem pequenos. Parece e não é de difícil conclusão que a desatenção por parte de alguns governantes com alguns de nossos bens têm único e verdadeiro propósito: a privatização.
Nota-se que a privatização no geral é aceita pela população que em nome de bom funcionamento e serviço de boa qualidade aceita e até a aplaude. Na verdade a privatização tem mais perda do que ganho. A perda é para todos os entes e o ganho é para o empresário que adquire o bem público, quase sempre por preço baixíssimo, sabendo que o negócio será rentável. Ou será que o empresário compra uma empresa pública simplesmente para salvá-la e não pensa de maneira alguma em seu alto lucro?
Há aqueles que defendem a privatização em nome da eficiência sem saber que essa tal eficiência não está no quesito, empresa ser pública ou não.
Neste sentido, se a privatização fosse a solução o nosso transporte urbano, por exemplo, feito por ônibus seria excelência. A eficiência ou a falta dela está nas regras de funcionamento ou até mesmo na gestão. Não há necessidade em privatizar uma empresa pública por ineficiência. O que precisa é de regras mais rígidas em torno de seu funcionamento, regras estas que demonstrem dignidade na prestação de serviço e também para aquelas pessoas que realmente queiram operar a máquina pública.
De fato em operação de privatização o recurso adquirido nem sempre aparece para o bem-estar da população.
Nesse sentido, privatizar é como vender a sua ferramenta de trabalho e alugar outra para seguir trabalhando. É como vender as cadeiras e mesa da cozinha. Vender seus pratos e talheres e depois ter que alugar todos esses móveis e utensílios para se alimentar.