
Um detento foi baleado dentro da Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, nesta sexta-feira (28). O disparo foi efetuado por outro preso que pertence a uma gangue rival da vítima. Procedimentos de revista foram realizados nos outros internos. Um policial penal, que trabalha no complexo, cobra melhores condições para a unidade.
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), os detalhes estão sendo apurados. “Até o momento, as informações do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) esclarecem que um preso foi atingido por disparo de arma de fogo na perna, efetuado por outro preso”, informou.
O detento ferido foi levado para o hospital e o estado de saúde dele não foi divulgado. Um procedimento administrativo foi aberto para apurar todas as circunstâncias do fato. “O Depen-MG ressalta que não se trata de rebelião ou motim. Este é um caso isolado. O fato será investigado administrativamente e criminalmente pelas autoridades competentes”.
‘Unidade precária’, diz servidor
A ocorrência registrada na penitenciária de Juiz de Fora é reflexo do abandono da unidade, conforme disse o policial penal do complexo Luciano Pipa. “É um fato lamentável envolvendo detentos de facções rivais. Não sabemos como uma arma de fogo foi parar na cela. Isso nos causa muita tristeza, pois sabemos do abandono que estamos tendo aqui na cidade”.
Pipa alertou que a penitenciária está em condições precárias. “A unidade está superlotada, a infraestrutura que era de uma unidade padrão de segurança máxima está danificada. Muitas rachaduras e infiltrações devido à lotação. Os servidores estão adoecendo cada vez mais porque não se tem diálogo e nem ação preventiva frente às situações que possam ocorrer”, afirmou.
O policial penal ainda disse que pelo fato da unidade prisional ter sido construída “dentro de um vale”, produtos ilícitos são jogados por pessoas que estão do lado de fora. “Já houve até atentado contra os servidores. Uma atitude precisa ser tomada, mas isso acontece só quando as coisas acontecem. A administração pública precisa tomar medidas, pois uma hora o caldeirão vai explodir. Pedimos socorro”.
A Sejusp foi procurada pela reportagem para comentar as críticas realizadas pelo policial penal. O posicionamento é aguardado e o texto será atualizado assim que recebido.