O governador do estado de Minas Gerais está fazendo um esforço tremendo para conseguir aprovar junto à casa legislativa o chamado regime de recuperação fiscal. De acordo com sua equipe, esta é a única saída para que o estado consiga cumprir com a administração dos serviços públicos.
De maneira atrelada ao RRF está também a tentativa incessante de privatizar algumas de nossas principais empresas públicas. Estas empresas, ao contrário do que demonstra o atual mandatário do estado, são geradoras de muito lucro para o estado. Empresa que tem o monopólio da atividade que exerce e sua prestação de serviço é comprada obrigatoriamente por toda a população é acertado afirmar que é impossível de ser um negócio não lucrativo.
As estatais Cemig e Copasa são desse tipo de empresa que tem o recurso natural hídrico como base para sua atividade e que apenas precisam o explorar, vender e lucrar. Caso seja verídico que tais empresas não dão lucro, o problema certamente está centrado na administração e não no negócio em si.
Tudo indica que atrelar a qualidade de prestação de serviços públicos à adesão ao regime de recuperação fiscal, da maneira em que propõe a atual administração estadual, e à venda de empresas públicas é lobby para amedrontar os mineiros com o intuito que estes aceitem a perda de seus bens. E desta maneira alguns empresários ligados ao governador comprarão estas empresas a preços baixíssimo, como sempre acontece em privatizações, e por meio delas se tornarão ainda mais ricos.
A adesão ao RRF e a privatização de empresas públicas, parece que têm como objetivos principais, castigar a população ainda mais com a prestação de serviços essenciais públicos e sucatear o estado com a entrega das empresas para pessoas sem nenhum tipo de compromisso com a população.
Da maneira como o estado está sendo conduzido onde seu mandatário visa apenas o desmonte dos bens públicos os mineiros são levados a sentirem saudades de um ex-governador que por aqui passou e que naquela época de seu comando no estado de Minas Gerais o presidente da República propôs a venda de usinas hidrelétricas do nosso estado, ele resistiu e disse que se o presidente vendesse a empresa a água seria retirada. Naquela ocasião, o povo mineiro junto ao seu governador saíram vencedores da batalha travada contra o presidente do Brasil.
Precisamos de governante com mentalidade voltada para a preservação do bem público. É possível e bastante coerente concluir que se uma empresa que detém o monopólio, tal qual as estatais, Cemig e Copasa possuem, e demonstram ineficientes, a anomalia não está na empresa e sim nas pessoas responsáveis pela sua gerência.
De maneira parecida, se o tal regime de recuperação fiscal fosse tão interessante para o estado de Minas Gerais, provavelmente não haveria tantas manifestações contrárias à sua aprovação.