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Ótimo negócio

Colunista Júlio Couto

Por: Redação
31/01/2024 às 18h55
Ótimo negócio
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

No Brasil tornou-se moda a prática voltada para a privatização de empresas públicas. Esta ação normalmente tem como justificativas a agilidade e a qualidade envolvidas nos serviços prestados para a sociedade. Mas o pretexto utilizado pelos políticos que buscam esta filosofia não consegue convencer àqueles cidadãos que de fato depende das prestações de serviços.

A sensatez nos leva a perceber que privatização de empresas públicas não traz saldo positivo em relação ao bem-estar das pessoas, exceto para aquelas que estão diretamente ligadas à aquisição das estatais. Normalmente são pessoas que visam simplesmente a exploração, tanto dos recursos naturais, quanto da prestação de serviços e também o acúmulo de riqueza.

Nesta linha de pensamento adotada por alguns políticos e pelos dos compradores de empresas à atenção com as pessoas jamais estará em primeiro lugar, pois esta posição pertence apenas ao lucro dos empresários. 

Logicamente que falhas estão sujeitas a acontecerem em qualquer nível de administração que esteja o ser humano à frente, mas quando trata-se de prestação de serviços públicos entende-se que o foco principal deve estar totalmente direcionado para a qualidade de vida das pessoas.

A privatização é muito interessante para quem compra a empresa, pois além de adquirir uma empresa já estabilizada, normalmente esta empresa detém o monopólio no ramo e ainda costuma receber dinheiro público para auxiliar no seu funcionamento.

Esta prática acontece com qualquer empresa que deixa de ser pública e vai para o setor privado, tal como, o metrô de Belo Horizonte que foi arrematado por um valor aquém do justo, logo em seguida foi autorizado aumento do preço da passagem e, além do mais há previsão de dedicação de dinheiro público em favor de sua permanência. 

Na contramão desta venda permanecem os usuários que estão pagando um preço mais alto pelo transporte e vendo a sua qualidade diminuir, tal como intervalos longos, baldeação durante as viagens e além disso as vezes falta o trem em alguma da estação. 

Não é diferente quando se fala de nossas rodovias em que o governo além de entregar o caminho construído oferece participação na manutenção dele e o empresário na maioria das vezes precisa apenas construir os postos de pedágio e fazer a cobrança dos motoristas. Simples assim.

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