O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) obteve a condenação de um homem, à pena de 32 anos de reclusão, pelo homicídio qualificado de sua ex-companheira, uma jovem de 18 anos de idade, crime cometido no dia 13 de julho de 2022, no bairro Praia, em Itabira, na presença da filha do casal, então com apenas três anos de idade.
O Tribunal do Júri da comarca reconheceu as qualificadoras do motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de o crime ter sido cometido contra mulher por razões da condição do sexo feminino. O regime inicial para o cumprimento da pena privativa de liberdade será o fechado.
Segundo apurado, na data do crime, o autor e a vítima estavam retornando do Pronto Socorro Municipal de Itabira, após levarem sua filha para uma consulta médica, quando o homem começou a discutir com a mulher alegando que ela havia o traído. Após chegar a urna estrada, em local ermo e escuro, o denunciado, conforme as investigações, iniciou as agressões contra a vítima na presença de sua filha, desferindo golpes com uma pedra contra o rosto da mulher, causando sua morte por politraumatismo.
A Justiça não concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade.
O corpo de uma jovem, de 18 anos, foi encontrado em uma estrada vicinal de Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Testemunhas que passaram pelo local chamaram a polícia na madrugada de quarta-feira (13-07-2022). O suspeito de cometer o homicídio é o ex-companheiro dela.
Segundo o boletim de ocorrência, Rayssa Aparecida Ferreira de Araújo saiu na noite da última terça-feira (12-07-2022) para levar a filha, de 3 anos, ao pronto-atendimento do Hospital Municipal de Itabira. A criança não passava bem.
Por volta das 23h, as avós da criança entraram em contato com Rayssa e perguntaram sobre o estado de saúde da menina. A jovem informou que aguardava o resultado de exames, mas que tudo corria bem.
Horas depois, já na madrugada de quarta-feira (13-07-2022), o irmão do suspeito acordou com uma movimentação estranha na casa onde a família mora. Percebeu que Francisco havia chegado em casa com a sobrinha no carro da mãe deles. O homem saiu sozinho na sequência, desta vez, usando a própria motocicleta.
Desconfiado de algum problema, o rapaz foi até o carro da mãe e percebeu que o veículo estava com a frente e o interior sujos de terra. Ele abordou a dona do carro, que resolveu ligar para a família da vítima.
Sem contato com Rayssa, os parentes começaram a ficar preocupados. Foram até o endereço do suspeito e acionaram a polícia. Contaram que a jovem estava desaparecida desde que saiu para levar a filha ao hospital. A criança foi com uma tia, irmã da vítima, para a casa da avó materna.
A menina contou para a tia que o pai havia agredido a mãe e deixado a vítima em um lugar escuro. A mulher repassou a informação para a polícia, que passou a fazer buscas na região. Pouco tempo depois, a PM recebe uma denúncia sobre um corpo de uma mulher abandonado na estrada.
O pai da vítima esteve no local do crime e reconheceu Rayssa. Conforme o registro do boletim de ocorrência, ela estava com ferimentos na cabeça, provavelmente originados por golpes de pedra. Além disso, ela estava com o rosto e as mãos sujas de sangue.
Testemunhas contaram que houve um desentendimento entre o casal no pronto-atendimento. A hipótese é de que o homem tenha ficado nervoso ao ver algumas mensagens no celular da ex. Eles estavam separados havia 15 dias.
Francisco já teve passagens por tentativa de homicídio contra uma ex-companheira em janeiro de 2016, quando tentou atingir a vítima com golpes de faca. Apesar disso, não há informações sobre mandados de prisão contra ele.
A perícia recolheu o celular da vítima e outros dois aparelhos que pertencem ao suspeito. Uma blusa de frio encontrada dentro do carro também foi apreendida. O material foi levado para a delegacia.