
A defesa da família das vítimas da chacina de Neves está confiante de que os réus do crime vão ser julgados pelo Tribunal do Juri. A definição sobre o tema será tomada em audiência de instrução que começou nesta sexta-feira (25), no Fórum de Ribeirão das Neves, na Grande BH. No crime, duas crianças e um homem foram mortos, na noite do dia 23 de março.
O advogado da família, Bruno Torres, explica que a audiência não tem previsão para acabar, devido ao alto número de pessoas para serem ouvidas - os oito réus e cerca de 40 testemunhas, segundo ele. O defensor é categórico ao afirmar que os acusados serão submetidos do julgamento do Júri.
"A assistência de acusação, bem como a acusação, acredita que todos os réus vão ser pronunciados. Vão ser submetidos ao conselho de sentença do Tribunal do Júri. Não temos a menor dúvida disso", projeta.
Conforme Bruno Torres, novas provas apareceram no processo ao longo dos mais de cinco meses após a tragédia. O defensor não revelou que provas são essas, já que o processo corre em segredo de justiça. A expectativa do acusado é que essas novas provas colaborem para que os réus sejam encaminhados para o Júri Popular.
Foragidos devem participar por videoconferência
A audiência de instrução contará com a participação das cinco pessoas que estão presas, entre elas os dois executores. A expectativa é de que os três réus que estão foragidos da Justiça também participem, por videoconferência.
Três homens réus no processo estão foragidos. Dois deles, os irmãos Flávio Celso da Silva, de 45 anos, o “Alemão”, e Leandro Roberto da Silva, de 43, o “Beirola”, são apontados pelas investigações como mandantes do crime. Eles seriam líderes do tráfico de drogas no bairro Morro Alto, em Vespasiano. Também é procurado Marcelo Alves Rodrigues, de 35 anos, conhecido pelos apelidos de "Tio Gordo" e "Bola 7".
Prisões
A primeira prisão ocorreu horas após a chacina, em 23 de maio. Yago Pereira de Souza Reis, de 23 anos, acusado como um dos executores, foi detido após dar entrada em uma unidade hospitalar com um ferimento causado por arma de fogo. Ele foi atingido, por engano, pelo próprio comparsa.
Em 5 de julho, a polícia prendeu Ivone Silva de Almeida, de 42 anos. As investigações apontam que ela teria fornecido informações aos criminosos sobre a localização do homem de 26 anos, alvo dos disparos.
O terceiro preso no caso é Pedro Paulo Ferreira Lima, vulgo "Paulinho Satan". Ele também é apontado como um dos mandantes e já estava preso na época da chacina. De dentro da cadeia, ele teria dado a ordem para a execução.
Em 24 de agosto, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), em operação conjunta com as forças de segurança do Espírito Santo, localizou o segundo executor: Agnes Danrlei Santos Nascimento, conhecido como “Biscoito”.
A quinta prisão ocorreu em 10 de outubro, quando a PM capturou Fabiano Alves Campos, de 39 anos, após recebimento de denúncia anônima.
Chacina
Familiares e amigos comemoravam o aniversário de Heitor Felipe, de 9 anos, em um espaço no bairro Areias, em Ribeirão das Neves, região Metropolitana de Belo Horizonte. As comemorações começaram cedo, às 9h de quinta-feira, 23 de maio, e se estenderam durante o dia.
Por volta das 19h, entretanto, quando os convidados já estavam indo embora, dois homens armados invadiram o espaço e começaram a atirar. Três pessoas morreram e outras três ficaram feridas.
Quem são as vítimas?
Morreram Heitor Felipe, de 9 anos, seu pai, Felipe Júnior Moreira Lima, de 26 anos, e uma prima, Layza Manuelly de Oliveira, de 11 anos. A família comemorava o aniversário de Heitor no espaço de festas quando o ataque ocorreu. Os disparos também atingiram outras três convidadas: uma adolescente de 13 anos, sua mãe, de 41, e uma jovem de 19. Elas foram socorridas para a UPA Justinópolis e, posteriormente, encaminhadas ao Hospital Risoleta Neves, em BH. A adolescente e a jovem se recuperaram bem. A mulher de 41 anos, no entanto, ainda está sendo monitorada de perto pelas equipes médicas. Familiares consideram a sobrevivência dela um milagre.