O ministro da Previdência, Carlos Lupi, anunciou sua saída do governo Lula no final da tarde desta sexta-feira (02/05), após o surgimento do escândalo relacionado aos descontos ilegais em aposentadorias e pensões, detectados pelas investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.
Lupi demonstrou insatisfação com a decisão do presidente Lula de não consultá-lo na nomeação de Gilberto Waller Júnior para a presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), substituindo Alessandro Stefanutto, que foi exonerado após o início da operação Sem Desconto da PF.
Outro fator que contribuiu para a decisão de Lupi foi a falta de apoio público por parte do governo, especialmente do Palácio do Planalto. Nos últimos dias, tanto o presidente quanto outros membros do governo evitaram defender Lupi, embora as investigações ainda não tenham indicado a participação do ministro no esquema de descontos ilegais. O presidente Lula, por sua vez, se mostrou incomodado com a postura do Ministério da Previdência e do INSS em relação aos alertas feitos pela CGU sobre os descontos indevidos.
Com a saída de Lupi, o PDT, partido ao qual ele é afiliado, começará a reavaliar sua posição na base de apoio ao governo. Uma reunião da bancada do partido na Câmara, prevista para a próxima semana, deve discutir o futuro dessa aliança. O PDT atualmente conta com 17 parlamentares.
A permanência do partido na base governista dependerá das ações do Palácio do Planalto, que já recebeu indicações de dois nomes para a substituição de Lupi: o ex-deputado Wolney Queiroz, atual secretário-executivo da pasta, e Guilherme Campelo, diretor de Licenciamento da Superintendência de Previdência Complementar.
Mais detalhes devem ser divulgados em breve.