Política Rio Tanque
Transposição do Rio Tanque gera preocupação na Câmara de Santa Maria de Itabira
Vereador Romilson alerta que 75% da água será destinada à Vale e apenas 25% ao abastecimento da população de Itabira
16/05/2025 20h21
Por: Helton Santos
Os parlamentares reforçaram que não são contra o progresso, mas pedem transparência, estudos de impacto ambiental detalhados e compensações para os municípios que possam ser afetados.

Durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de Santa Maria de Itabira, realizada na última segunda-feira (12), o vereador Romilson levantou um importante debate sobre a obra de transposição do Rio Tanque, que está sendo executada pela mineradora Vale no município vizinho de Itabira. A principal preocupação levantada pelo parlamentar diz respeito à destinação da água captada: dos 600 litros por segundo previstos, 450 l/s (75%) serão destinados à Vale, enquanto apenas 150 l/s (25%) serão utilizados para abastecimento público.

A obra faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Vale, o Ministério Público de Minas Gerais, o SAAE e a Prefeitura de Itabira. O projeto prevê a construção de 25 km de adutoras, três estações elevatórias e uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA), com investimento estimado em R$ 1,17 bilhão. A promessa é resolver definitivamente os problemas de abastecimento de água em Itabira.

Entretanto, o alerta feito por Romilson repercutiu entre os demais vereadores, que demonstraram preocupação com os possíveis impactos dessa retirada de água para as cidades vizinhas, especialmente Santa Maria de Itabira.

Continua após a publicidade

“O que se apresenta é um projeto para resolver o problema da água em Itabira, mas 450 milímetros por segundo vão para a Vale e só 150 para a população. Isso é alarmante. Precisamos saber o que sobra para Santa Maria e para quem está abaixo do rio Tanque”, afirmou o vereador Romilson.

Presidente da Câmara reforça preocupação coletiva

O presidente da Câmara, Jair da Saúde, também se manifestou sobre o tema e apoiou o posicionamento do colega.

Continua após a publicidade

“Essa é uma preocupação de todos nós. Estamos falando de um recurso natural que pode impactar diretamente nosso município. Precisamos de mais informações e de garantias de que Santa Maria não será prejudicada”, declarou Jair.

Santa Maria pode sofrer consequências

O Rio Tanque é afluente do Rio Santo Antônio, que passa por diversas comunidades rurais da região. Qualquer alteração significativa em sua vazão pode comprometer o abastecimento humano e animal, o uso agrícola e o equilíbrio ambiental. Em Santa Maria de Itabira, muitos produtores dependem dessas águas para irrigação, dessedentação de rebanhos e uso doméstico.

Os parlamentares reforçaram que não são contra o progresso, mas pedem transparência, estudos de impacto ambiental detalhados e compensações para os municípios que possam ser afetados.

Diante da gravidade da situação e da escassez de informações sobre os impactos diretos na região, os vereadores discutiram a possibilidade de acionar a Promotoria de Justiça para que o caso seja acompanhado de perto pelo Ministério Público. A ideia é garantir que os interesses da população de Santa Maria de Itabira sejam preservados, bem como exigir maior clareza nas decisões que envolvem recursos naturais que atravessam mais de um território municipal.

Diante da preocupação levantada, a Câmara Municipal de Santa Maria de Itabira deve encaminhar ofícios aos órgãos responsáveis pelo licenciamento da obra, à Vale e ao SAAE de Itabira. Há também a possibilidade de convocar uma audiência pública para discutir o assunto com a população, especialistas e representantes da mineradora.

Enquanto isso, a população Santa-mariense acompanha com atenção os desdobramentos desse projeto que, embora localizado em Itabira, pode trazer reflexos diretos para todo o entorno.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Plantão Santamariense (@plantaosantamariense)