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Quem espanta primeiro pode ser dona do ovo

Colunista Júlio Couto

Por: Redação
23/05/2025 às 07h21
Quem espanta primeiro pode ser dona do ovo
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

Está preste a ser instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito, (CPI) ou Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, (CPMI) que em tese terá como alvo os responsáveis, de alguma maneira, pela subtração de valores monetários de aposentados e pensionistas junto ao Instituto Nacional do Seguro Social, (INSS).

Inicialmente, com pouca exceção, parece que o grupo governista resiste ao processo investigatório. A resistência dos governistas demonstra não está ligada ao receio da culpabilidade, pois as primeiras pistas investigativas apontam que a fraude não foi arquitetada e nem iniciada durante a atual gestão. A objeção parece ser devido a aproximação do ano eleitoral do qual todos desejam sair vencedores nas urnas. Neste sentido, tudo leva a crer que quem está no poder tem mais chance de ser prejudicado politicamente.

De maneira contrária aos governistas, a oposição quer que seja instalada nas casas legislativas, a comissão investigativa o mais rápido possível, pois entende que durante o processo investigatório poderá levar proveito em questão de destaque político, principalmente em se tratando de disputa eleitoral do próximo ano. Com a justificativa de apuração da trapaça, poderá fazer do processo investigatório um palanque político para a próxima disputa nacional.

A descoberta feita até agora pela polícia federal já demonstrou que a fraude dos benefícios dos aposentados não foi iniciada recentemente e sim a mais de cinco anos. O governo já se organizou com intuito de reparar os danos aos prejudicados financeiramente. Basicamente, o que deveria ser feito sem nenhum destaque midiático já está sendo feito pelo trabalho silencioso da polícia federal que tem a função de investigar os crimes sem preocupação de ganhar espaço nas disputas eleitorais.

A história parece se repetir ao episódio conhecido como Oito de janeiro, quando a oposição mobilizou se para instalar a CPI, na “inocência” de que ganharia força no cenário político. A base governista, como estratégia, parecia resistir a apoiar a investigação, depois tomaram frente e o resultado revelou o absurdo no qual a responsabilidade de depredação do patrimônio público foi de aliados daqueles que demonstravam buscar a apuração dos ocorridos.

Por fim, na verdade, o que realmente está por trás de todo esse movimento são pessoas no meio político em busca de conquista e permanência no poder. A revelação de criminosos e punição aos mesmos está sempre em segundo plano. Não importa quem quer que seja o infrator, aliado ou não.

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