Colunista Júlio Couto COLUNISTA
Sem desafio, não
Colunista Júlio Couto
03/07/2025 19h38
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

Recentemente circulou pela internet um pequeno vídeo em que um deputado federal dizia que estava em sua responsabilidade a relatoria de um projeto que visa acabar dentro do sistema educacional com a chamada aprovação automática dos estudantes das escolas brasileiras. A veracidade do vídeo e da fala do tal deputado ainda não pode ser dada como verdadeira, pois ultimamente há muitas montagens de conteúdos na internet os quais nem sempre condizem com o fato. Do mesmo modo já apareceu conteúdo postado em redes sociais pelo mesmo parlamentar e a tal publicação posteriormente foi revelada como distorcida.

Sendo verdade ou não por parte do conteúdo trazido no vídeo, cabe a todos os brasileiros, especialmente aqueles que acredita na mágica em que a educação é capaz de fazer na vida das pessoas, em quesito de transformação, uma atenção muito especial para a situação que visa promover a mudança dentro do sistema educacional brasileiro. Independentemente da existência de um projeto em desfavor da aprovação automática dos alunos é prudente que seja pensada uma maneira acessível para que a educação atinja a todos, mas que este acesso do indivíduo à escola não seja apenas como um matriculado. A passagem do aluno pela escola deve acontecer com ele sendo o protagonista da construção do conhecimento, preparação para o desenvolvimento cada vez mais harmônico e distante de manipulação. O estudante deve estar inserido em um sistema que seja desafiador em que ele precise fazer um mínimo de esforço em favor da sua aprendizagem, levando em consideração a sua capacidade intelectual.

Por fim, quando o sistema educacional está simplesmente a serviço de estratégias políticas voltadas para a maquiagem de resultados não há necessidade de nenhum esforço por parte do corpo discente, pois basta que este apareça na escola em algum momento para que seja dada a sua promoção, promoção esta que por sinal faz muito mal ao futuro da humanidade. A aprovação automática chega ser uma artimanha covarde por parte da legislação devido às exigências e a necessidade de competitividade em que há no planeta.  Não exigir do estudante uma margem de esforço é uma contradição enorme com a realidade. Isso pelo fato de que a educação inevitavelmente ser o setor responsável e indispensável pelo futuro das pessoas e consequentemente o desenvolvimento do país.

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