Uma operação conjunta coordenada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Polícia Militar, da Vigilância Sanitária, da Assistência Social e do Samu, resultou na interdição de um centro de reabilitação clandestino na zona rural do distrito de Ipoema, em Itabira. A ação ocorreu na última sexta-feira, 18 de julho.
Durante a fiscalização, foram encontradas cerca de 50 pessoas mantidas contra a vontade em condições absolutamente degradantes. O local funcionava sem qualquer autorização dos órgãos competentes e apresentava graves violações aos direitos humanos e à legislação sanitária. Alguns internos eram obrigados a dormir em baias destinadas a animais.
Três pessoas responsáveis pelo centro foram presas em flagrante e conduzidas à Delegacia de Polícia Civil de Itabira. Um inquérito foi instaurado para apurar as responsabilidades criminais.
Os responsáveis pela clínica ofereciam aos internos um “coquetel de medicamentos” com efeito sedativo, conhecido no local como “Danoninho”, que deixava os pacientes em estado de letargia. Havia sinais claros de negligência, abuso, intoxicação e desidratação. Muitas famílias, sem saber das condições reais, pagavam cerca de R$ 2 mil mensais para manter os parentes no local.
Sete pacientes foram imediatamente levados ao Pronto-Socorro de Itabira, com apoio de quatro ambulâncias do Samu. Todos os internos passaram por avaliação médica de urgência. Os demais foram encaminhados de volta às suas famílias.
As autoridades seguem apurando a extensão do esquema criminoso, incluindo o possível envolvimento de outras pessoas. Entre os crimes investigados estão: sequestro, cárcere privado, exercício ilegal da medicina, maus-tratos e associação criminosa.
O Ministério Público também trabalha na identificação e contato com as famílias dos internos, muitos oriundos do Vale do Aço e de outros estados. O objetivo é garantir atendimento adequado às vítimas e prevenir novos casos por meio de fiscalização rigorosa.
Segundo o promotor de Justiça Bruno Oliveira Muller, da 4ª Promotoria de Justiça de Itabira, o que foi encontrado no local configura um verdadeiro cenário de terror. “Encontrar cerca de 50 pessoas em condições desumanas, dormindo em baias destinadas a animais, dopadas com medicamentos sedativos e mantidas em cárcere privado é absolutamente inaceitável. O Ministério Público não tolerará práticas criminosas que explorem o sofrimento de pessoas vulneráveis e suas famílias", afirmou.
O promotor também alertou sobre a necessidade de cautela por parte das famílias. “É fundamental que se faça uma pesquisa criteriosa antes de encaminhar um familiar a qualquer instituição, pois infelizmente ainda existem muitas comunidades terapêuticas irregulares”, reforçou.