Nem sempre a perda grita. Às vezes, ela sussurra no som de uma madeira rompendo, de um barranco deslizando, de um silêncio que cai pesado sobre toda uma cidade.
Neste capítulo, Santa Maria de Itabira revive o instante em que uma casa deixou de ser abrigo — e virou ausência.
Porque quando uma casa cai, é a memória de todos que treme junto.
Leia abaixo e sinta essa travessia.
Capítulo 06
Era madrugada quando o barranco cedeu. A terra, farta de água, não suportou mais o peso do silêncio e desceu. Uma casa no alto, de alicerce frágil, foi engolida pelo movimento.
Não houve tempo para gritos, nem para orações. A família lá dentro era conhecida de todos. Vizinhos acordaram com o estalo e o grito engasgado de quem viu, mas não pôde fazer nada.
A lama que levou a casa também carregou lembranças, brinquedos, retratos. A cidade sentiu a perda como se fosse um parente próximo, porque ali, tudo era próximo.
E em Santa Maria, uma casa não era só uma casa — era um pedaço do mundo de alguém.
Amanhã, mais um pedaço dessa memória viva.