
Em Juatuba, na Grande BH, três clínicas clandestinas foram interditadas entre os dias 28 e 30 de setembro em operações da Polícia Civil, Polícia Militar e Vigilância Sanitária. As unidades, que se apresentavam como centros de tratamento de diversas enfermidades, funcionavam sem qualquer supervisão médica ou terapêutica e mantinham pacientes em situação degradante.
Ao todo, 60 pessoas, incluindo idosos e adolescentes, foram resgatadas. Elas viviam em condições sub-humanas: colchões sujos, lençóis nunca trocados, comida contaminada e constante exposição a violência física, sexual e trabalho forçado.
As clínicas recebiam pagamentos mensais em dinheiro de R$ 1.500 a R$ 2.500 por paciente. O grupo criminoso captava vítimas pelas redes sociais e enganava as famílias com falsas promessas de tratamento adequado. Em caso de resistência, os pacientes eram agredidos com socos, chutes e técnicas de estrangulamento.
Além de maus-tratos, os resgatados eram submetidos a dopagem com medicamentos controlados, violência sexual e exploração laboral, incluindo trabalhos pesados do nascer ao pôr do sol, sem possibilidade de descanso.
Durante as ações, a polícia encontrou receituários em branco, carimbos, remédios psicotrópicos e alimentos estragados. Oito pessoas foram presas, incluindo o chefe da organização, de 39 anos, que já operava desde o ano passado. Apesar da liberdade provisória concedida a alguns, todos responderão por crimes como cárcere privado, trabalho análogo à escravidão, maus-tratos, violência sexual, falsificação de documentos e associação criminosa.
As operações evidenciaram o padrão itinerante do grupo, que alugava sítios afastados, mudava de local constantemente e abria novas clínicas temporárias. Muitas vítimas estavam desaparecidas até serem localizadas nas últimas três unidades interditadas.
As autoridades alertam famílias e vizinhos a conferir alvarás de funcionamento, manter contato constante com pacientes e denunciar qualquer sinal de trabalho forçado ou maus-tratos.