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Colunista Júlio Couto

Por: Redação
04/12/2025 às 16h36

É razoável dizer que desde o início da organização da sociedade, a transmissão de conhecimento passou a ser necessária entre as pessoas. A interação entre os seres humanos acontece de modo que alguns valores, inevitavelmente, são preservados, transmitidos e também construído na dialética.

Além disso, o monopólio do conhecimento vai se quebrando de maneira que as pessoas possam planejar o futuro de uma forma parecida ou não com o planejamento do outro. Daí surge a necessidade da criação da escola para preparar, organizar e levar o saber ao alcance das pessoas.

Historicamente a escola foi um ambiente criado e administrado em favor da elite e nesse ambiente organizado em prol da aprendizagem não era deixando espaço de inserção para a grande massa. A partir de lutas de alguém que pensava que o poder econômico não deveria prevalecer em relação a dignidade e o talento humano inicia-se o universo escolar sem distinção econômica

A partir de manifestações reivindicatórias o espaço da escola foi se abrindo para todos que, em tese, seria o ambiente ideal para se buscar preparação e instrução visando a mudança da realidade, como por exemplo, melhor colocação no mercado de trabalho. A instituição escola está consolidada na sociedade e dela todos em algum momento poderão fazer parte.

Nesse sentido, a instituição escolar está classificada com um espaço democrático para as pessoas estudarem e não é mais possível os detentores do poder econômico retirar o direito do menos favorecidos economicamente de a frequentarem. Certamente um retrocesso voltado para exclusão das pessoas do acesso à escola não irá acontecer por parte de quem tem o poder de excluir, mas é possível retirar a qualidade da educação e até torná-la um produto obsoleto diante do mundo competitivo.  

Daí surgem perguntas, tais como: será que a estrutura da escola voltada para a construção do conhecimento segue mesma linha de raciocínio em relação ao seu acesso? Ou será que democratizou apenas o acesso ao diploma, retirando do discente a necessidade de estudar visando a construção de um conhecimento emancipatório capaz de fazer a diferença em sua vida, principalmente quando houver a necessidade de competir com o filho do rico?

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Júlio Couto
Júlio Couto
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais.
Graduado em Letras pela PUC Minas.
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