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Depende de quem
Colunista Júlio Couto
10/12/2025 12h27
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

Próximo ao encerramento, o ano legislativo da Câmara Federal foi marcado por uma situação muito tensa e constrangedora envolvendo os nobres deputados. O presidente da Casa, Hugo Mota, pautou o Projeto da Dosimetria e também a votação da cassação de alguns deputados. E pelo que tudo indica, a ordem do dia surpreendeu muitos parlamentares.

Em protesto, o esquerdista Glauber Rocha, um dos deputados que estaria na lista daqueles que poderiam perder o mandato, ocupou a Mesa Diretora da Câmara, como aconteceu recentemente com outros deputados do campo da direita. Imediatamente o presidente ordenou a retirada do deputado pela Polícia Legislativa e isso aconteceu pelo uso da força da corporação. Mas antes da ação da Polícia contra o deputado, a transmissão televisiva e radiofônica da instituição foi cortada e a imprensa impedida de fazer a cobertura no local.

A ação do presidente demonstrou bastante incoerência, tanto pelo fato de forçar a aprovação do projeto voltado para reduzir pena de condenados, principalmente aqueles envolvidos no crime de golpe e tentativa de abolição do Estado Democrático de direito, quanto a ocupação da Mesa Diretora pelo deputado. A incongruência está no fato de o presidente demonstrar tratamentos diferenciados para manifestações de parlamentares. A manifestação realizada a pouco mais de três meses por deputados do campo da direita em protesto contra a prisão domiciliar do último ex-presidente da República e a de agora feita por um deputado pertencente ao campo da esquerda. No mês de agosto deste ano alguns deputados ocuparam a Mesa Diretora da Câmara por mais de 30 horas e o presidente parece não ter se importado tanto, pois não demonstrou nenhuma ação dura contra os companheiros. Ele também não ordenou a retirada de seus pares por meio da força policial. Hugo Mota, apenas por questão protocolar disse que não estaria de acordo com as ações dos parlamentares direitistas e até o momento não foi divulgada nenhuma notícia sobre algum tipo de punição sofrida por aqueles manifestantes.

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Independente de qual seja a posição política do manifestante, este deve ser tratado com isonomia, levando em conta as normativas. Também deve ser levado em conta que nenhum parlamentar deve criar regras e impô-las baseadas simplesmente em sua ideologia ou questões pessoais, apesar de acontecer. E o presidente da câmara deveria entender a nobreza do seu cargo e também a grandeza que a instituição Câmara Federal representa para o povo brasileiro.