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Regras que evaporam

Colunista Júlio Couto

Helton Santos
Por: Helton Santos
19/12/2025 às 09h20
Regras que evaporam
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

Havia um país muito extenso em questão territorial, em população tinha um pouco mais de duzentos milhões de habitantes e muito bem localizado dentro do Globo terrestre. Suas inúmeras riquezas naturais e diversificadas faziam inveja em muitos outros países. O clima nesse país era daqueles mais desejados por qualquer ser vivo, principalmente para os seres humanos. O clima era favorável a quase tudo, por exemplo, à pecuária, à agricultura, aos banhos de mar, onde existiam abundantes praias com características ímpares. As belezas naturais eram incomparáveis com qualquer outra parte do mundo. O povo desse país era muito acolhedor e hospitaleiro, tanto que era possível encontrar por lá estrangeiros de todas as partes do mundo.

Como nem tudo é perfeito, apesar da peculiaridade dentre outros lugares mundo afora, seus moradores poderiam sim está vivendo à beira da perfeição, mas nesse país havia a prática administrativa inadequada e incoerente com a grandeza de seus adjetivos. Em questão de divisão administrativa, poderia até considerar que esse país possuía uma razoável organização, na qual a população podia ser muito bem assistida pelos seus representantes. As leis, na teoria, pareciam estar totalmente adequadas com a boa e necessária organização em torno do coletivo. Teoria, nobre leitor.

Apesar de antes já existir, foi pensada e criada uma Constituição para aquele país, a qual protegia os direitos e deveres de maneira igualitária para todos, mas de período em período, os administradores buscavam modificar tais leis, levando em conta, primeiramente, questões pessoais. As leis eram modificadas muitas das vezes para livrar seus pares de possíveis punições previstas nas regras gerais, sem contar que as letras das leis eram quase sempre diferenciadas e mais brandas para aqueles que estavam à frente dos poderes. Quando estes eram enquadrados pelo judiciário, as primeiras medidas adotadas por alguns responsáveis pelo poder político era atacar os juízes, manobrar e buscar a exclusão destes do quadro da justiça. E de maneira imediata escreviam outras regras em favor impunidade.

Percebe-se que para criar textos de emenda na Constituição, com normas que pudessem favorecer os parlamentares, principalmente aqueles de mesma ideologia política, sempre estavam dispostos a contrariar a própria natureza humana que necessita dormir. Os textos eram criados com tanta rapidez e sua aprovação mais ligeira ainda, quase sempre durante madrugada.

Caro leitor, é mera coincidência, caso você conheça algum país semelhante a esse que está sendo mencionado aqui. Manifeste-se, mesmo que seja no seu silêncio e lute para que você não viva em um país parecido com esse do relato. O seu país pode ser mudado caso você queira, pois ainda há uma instituição chamada escola, um pouco desvalorizada, mas por lá você poderá encontrar o caminho da mudança.  

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