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Em ritmo paradoxal
Colunista Júlio Couto
03/01/2026 16h31
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela

Um representante de um dos mais destacados cargos da política nacional posicionou e até propôs levar ao Congresso Nacional para apreciação sobre a retirada de qualquer tipo de auxílio vindo do governo para aqueles que de alguma maneira são beneficiados por essa ajuda. A sugestão dele seria proibir de votar, aquela pessoa que recebe algum tipo de auxílio advindo dos cofres públicos. Ele ainda acrescentou como forma de justificativa que há muita fraude por parte de quem recebe.

O nobre parlamentar esqueceu-se ou até mesmo acredita na desinformação por parte dos brasileiros sobre o auxílio que há em favor de cada ocupante do cargo em que ele faz parte. No cargo que ele preenche, como outros cargos parecidos, há também auxílios e estes bem mais robustos que aquele recurso básico que o pobre ganha para custear, muitas vezes, apenas parte de sua alimentação.

Na fala dita pelo congressista pode ser notada coerência quando ele disse sobre questões ligadas a trapaças voltadas nas transações de recebimento de tais recursos, mas entende-se que isso não deve ser generalizado a todos auxiliados, pois a desonestidade não está em cem por cento da população envolvida nos programas. Havendo possibilidades de fraude por parte de alguém é função do governo criar regras duras e fazer a fiscalização destas com rigor para que isso não se torne hábito e farra com dinheiro público.

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Logicamente que a questão da transparência deve prevalecer sempre, principalmente quando trata se de bens públicos. Nota-se, também, que há coerência sobre uma menor probabilidade de um beneficiário do Bolsa Família em relação a um beneficiário de um auxílio moradia para parlamentar sobre fraude em tais programas, sem contar o tamanho do impacto financeiro para os cofres públicos que este pode trazer.

Caso realmente seja necessário a quem receba recursos oriundos dos cofres do governo deixar de exercer o seu direito ao voto para eleger seus representantes nos diversos níveis de governo é aconselhável ao parlamentar da proposta entregar o seu cargo, assim ele ficaria livre para votar em outros candidatos diferentes de si.

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