Cidades SANTA MARIA
Santa Maria de Itabira arrecada quase R$ 2,8 milhões em CFEM em 2025, aponta ANM
Recursos da mineração reforçam caixa do município enquanto desafios persistem no perímetro urbano e em comunidades próximas à atividade mineral
04/01/2026 09h30
Por: Diego Jorge Fonte: Agência Nacional de Mineração (ANM)
Wikipédia

Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram que o município de Santa Maria de Itabira arrecadou, ao longo de 2025, o total de R$ 2.798.650,04 (dois milhões, setecentos e noventa e oito mil, seiscentos e cinquenta reais e quatro centavos) em recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

A arrecadação ocorreu de forma concentrada em alguns meses do ano. Em fevereiro, o município recebeu R$ 133.747,70. Em março, o repasse chegou a R$ 1.096.856,12, o maior valor registrado no período. Em abril, entraram R$ 156.685,62. Já em agosto, a arrecadação foi de R$ 879.748,58. Em outubro, foram R$ 163.540,77, em novembro, R$ 246.776,28, e em dezembro, R$ 121.294,97. Nos demais meses do ano, não consta registro de repasse, conforme os dados da ANM.

Conforme apurado pelo Plantão Santamariense, até a data de hoje, 04 de janeiro, esses valores consolidam a CFEM como uma das principais receitas vinculadas à atividade mineral no município, reforçando o peso da mineração no orçamento local.

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A CFEM é um recurso pago pela mineração como compensação pela exploração de recursos minerais pertencentes à União. Por lei, esse dinheiro deve ser utilizado em áreas como infraestrutura, meio ambiente, desenvolvimento urbano e rural, buscando compensar os impactos da atividade mineral e promover melhorias para a população.

Em Santa Maria de Itabira, a atividade mineral está ligada à atuação da Prosper Mineração, na Mina do Cuité, empreendimento localizado no município e voltado à extração e tratamento de minério de ferro. A presença da mineração influencia diretamente a economia local e também a dinâmica territorial das áreas próximas ao empreendimento.

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Comunidades como o distrito de Itauninha, a comunidade do Tatu e localidades adjacentes convivem mais de perto com a realidade da mineração. Nessas regiões, questões relacionadas ao impacto ambiental e à necessidade de investimentos permanentes fazem parte do cotidiano dos moradores, que acompanham de perto os reflexos da atividade no território.

No perímetro urbano, situações recentes também chamaram a atenção da população. Reportagens mostraram alagamentos em residências na Rua José da Silva Braga, uma das principais vias do município, com relatos de problemas na rede de drenagem pluvial. Outro caso foi registrado na localidade do Morro Queimado, onde uma residência foi invadida pela água da chuva, resultando em prejuízos materiais. Situações como essas evidenciam que, apesar de obras e melhorias realizadas nos últimos anos, ainda existem pontos sensíveis na infraestrutura da cidade.

É inegável que o município avançou em diferentes áreas e que intervenções importantes foram executadas. Ao mesmo tempo, os dados da ANM mostram que os recursos provenientes da mineração representam uma arrecadação significativa, capaz de fortalecer o planejamento e a execução de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida.

A divulgação dos números da CFEM reforça a importância do acompanhamento da aplicação desses recursos, especialmente em um município que convive diretamente com os impactos da mineração. Trata-se de dinheiro público, gerado pela exploração de riquezas naturais, que desperta atenção tanto da população urbana quanto das comunidades próximas à atividade mineral.

Os dados são oficiais, os valores são expressivos e os desafios seguem visíveis no dia a dia de Santa Maria de Itabira — na cidade, em Itauninha, no Tatu e nas áreas do entorno.