O Hospital Padre Estevam, em Santa Maria de Itabira, vive um dos momentos mais delicados de sua situação financeira após quase quatro anos sem reajuste nos valores do convênio com o poder público municipal. Em entrevista ao Plantão Santamariense, o presidente da instituição, Ari Virgílio, detalhou o cenário atual, explicou os impactos do congelamento dos repasses e alertou para o risco de agravamento caso não haja recomposição de receita.
Segundo ele, os custos operacionais aumentaram de forma contínua desde 2022, puxados por despesas com equipe, insumos, manutenção, exigências técnicas e adequações estruturais obrigatórias. Enquanto isso, o valor recebido pelo convênio permaneceu sem correção.
De acordo com a direção, o hospital já opera no limite financeiro. Não há mais margem para cortes sem afetar diretamente o atendimento. A redução de despesas, neste momento, significaria também redução de serviços — o que impactaria diretamente a população que depende da unidade.
Uma auditoria realizada pela Prefeitura analisou detalhadamente as contas da instituição. Conforme relatado na entrevista, o levantamento confirmou o desequilíbrio financeiro. A conclusão técnica apontou insuficiência de receita frente às despesas atuais de funcionamento.
O presidente destacou que o hospital vem mantendo as exigências regulatórias e sanitárias em dia, com melhorias estruturais realizadas para garantir alvarás e autorizações de funcionamento. Entre elas, estão reformas exigidas pela Vigilância Sanitária, executadas com recursos de emenda parlamentar com destinação específica, que não poderiam ser utilizados para outras finalidades.
Outro ponto abordado foi a atuação do Ministério Público, que solicitou esclarecimentos e informações das partes responsáveis pela rede de saúde. A medida busca assegurar a continuidade do atendimento e a segurança dos pacientes diante do cenário financeiro apresentado.
A direção também citou o Programa Valora como uma possível alternativa de fôlego financeiro. No entanto, a adesão exige cumprimento de diversos critérios técnicos e investimento inicial elevado. Além disso, o pagamento é realizado de forma quadrimestral, o que exige capital de giro para manter a operação até o recebimento dos valores.
Segundo Ari Virgílio, o hospital segue funcionando, atendendo e cumprindo exigências, mas depende de ajuste na receita para manter a sustentabilidade. Sem recomposição dos valores do convênio, o risco é de agravamento progressivo das dificuldades financeiras.
A direção defende que o tema seja tratado como prioridade administrativa, por envolver serviço essencial à população de Santa Maria de Itabira.
📺 Veja abaixo a entrevista completa, dividida em partes, com o presidente da instituição, Ari Virgílio, que detalha a situação financeira do Hospital Padre Estevam, os desafios atuais e as medidas necessárias para garantir a continuidade dos atendimentos.