
Na manhã desta quinta-feira (5), o município de Tiradentes, na região do Campo das Vertentes, recebeu as primeiras 10 charretes elétricas que irão substituir gradualmente as tradicionais charretes de tração animal utilizadas nos passeios turísticos da cidade.
A iniciativa é conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e tem como eixo central o Direito dos Animais, buscando preservar a tradição turística local, manter o trabalho dos charreteiros e, ao mesmo tempo, garantir melhores condições de vida aos cavalos que eram utilizados na atividade.
O projeto prevê ainda a entrega de outras 20 charretes elétricas ao município nos próximos meses.
A ação faz parte do Projeto Charretour, desenvolvido pelo Instituto Arbo e viabilizado com recursos provenientes de medidas compensatórias obtidas pelo Ministério Público e direcionadas por meio da Plataforma Semente.
Segundo a promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, coordenadora da Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (Ceda) do MPMG, cada charreteiro que aderir ao projeto deverá entregar a charrete antiga e os dois cavalos utilizados na tração.
Em troca, receberá uma charrete elétrica para continuar realizando os passeios turísticos.
“Depois de passar uma vida puxando veículos em Tiradentes, agora os cavalos terão direito de descansar”, afirmou a promotora.
Ela explicou que os animais serão encaminhados para adoção responsável, em um processo que será acompanhado por entidades de proteção animal e supervisionado pelo Ministério Público.
A promotora destacou ainda que a iniciativa é resultado de um consenso entre diversos setores envolvidos.
“Esse processo foi construído junto ao movimento de proteção animal, à associação dos charreteiros, ao município e ao Estado. Todos entenderam que essa transição era necessária”, explicou.
A expectativa do MPMG é que a iniciativa sirva de modelo para outras cidades turísticas de Minas Gerais. Municípios como Caxambu, São Lourenço e Poços de Caldas já iniciaram processos semelhantes de substituição da tração animal.
De acordo com a médica veterinária Vânia Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, será realizada uma triagem para selecionar interessados em adotar os cavalos que deixarem de trabalhar nas charretes.
“Nós estruturamos um programa de adoção para garantir que essa mudança social aconteça com respeito aos trabalhadores, aos animais e à sociedade”, explicou.
Os interessados em adotar os cavalos poderão procurar o Fórum ou o Instituto Arbo para obter mais informações.
Para o promotor de Justiça Adalberto de Paula Christo Leite, da Promotoria de São João del-Rei, a iniciativa representa um exemplo de cooperação entre diferentes setores.
“A entrega das charretes é uma construção coletiva entre as partes envolvidas e representa um gesto de compaixão e respeito às criaturas e às pessoas”, afirmou.
A solenidade contou ainda com a presença do procurador-geral de Justiça adjunto institucional do MPMG, Hugo Barros de Moura Lima.
O charreteiro Reginaldo Dantas, que trabalha há 28 anos na atividade, participou de um treinamento de seis meses com um protótipo da nova charrete elétrica.
Segundo ele, o veículo tem capacidade para transportar quatro passageiros com cinto de segurança e deverá circular a uma média de 12 km/h pelo centro histórico, permitindo que os turistas apreciem a paisagem da cidade.
A velocidade máxima pode chegar a 30 km/h, com segurança.
Reginaldo também destacou que o novo modelo permite acessar locais que antes não eram alcançados pelas charretes tradicionais.
As novas charretes foram desenvolvidas pela empresa Verth, responsável pela criação da carruagem com motorização 100% elétrica. O projeto combina tecnologia, sustentabilidade ambiental e preservação estética da experiência turística tradicional.
A implantação do modelo foi impulsionada por uma Ação Civil Pública movida pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que resultou em um acordo judicial para substituir os veículos de tração animal.
O projeto envolve parceria entre o Ministério Público, o Instituto Arbo, a Prefeitura de Tiradentes, a Associação de Charreteiros, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e o deputado estadual Noraldino Júnior.