
No Brasil, a prática de CPMIs se faz necessária e até virou "moda" nos meios políticos, devido ao desrespeito de muitos ocupantes de cargos nos variados níveis de poder. A falta de zelo e cuidado com a coisa pública parece não ter fim, principalmente quando esta demonstra possibilidades e facilidades de enriquecimento por parte de quem a acessa.
No momento, o processo em curso trata da fraude em empréstimos consignados junto ao INSS, a qual lesou milhares de beneficiários do instituto. No curso das investigações, foi constatado o envolvimento da instituição financeira Banco Master na fraude, com a suposta participação de altas autoridades.
Pelo que tudo indica, muitos daqueles que pressionam pela investigação da corrupção envolvendo o banqueiro pertencem ao mesmo grupo dos envolvidos no esquema ilícito. A pressão de alguns parlamentares parece ter como objetivo principal demonstrar à sociedade — e aos possíveis eleitores — que o malfeito não faz parte da sua atuação política cotidiana.
No entanto, o cenário negativo persiste: a investigação acontece, os culpados são identificados, mas frequentemente não punidos exemplarmente. Esse risco é alto, pelo fato de haver indícios de envolvidos em todas as correntes políticas. Muitos demonstram agir em favor da ética e dos bons costumes, mas, na prática, não agem assim. Trata-se de estratégias publicitárias que têm como objetivo a busca e a permanência no poder.