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O coringa dos problemas sociais
Colunista Júlio Couto
20/03/2026 07h59
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

A instituição escolar, inevitavelmente, amplia a cada dia sua carga laboral em prol da sociedade. Inúmeros e intermináveis problemas sociais são inseridos, a todo momento, em sua grade oculta e extra, direcionada à harmonia e ao bem-estar social.

Todas as instituições são necessárias e importantes no seio da sociedade, embora o funcionamento delas nem sempre condiga com a realidade e a demanda das pessoas. O crescimento desenfreado dos problemas sociais e, muitas vezes, a má condução de algumas instituições em seus ofícios inerentes acabam gerando sobrecarga para outras que, inevitavelmente, absorvem demandas que não seriam de sua responsabilidade.

Nesse acúmulo de funções, a escola surge como aquela que, de maneira quase oficializada, assume tarefas oriundas da falta de divisão de trabalho de outrem. Mesmo não sendo sua função primária, por ela transitam todos os problemas sociais; a escola não consegue solucionar todos, mas desenvolve mecanismos mediadores em busca de soluções.

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Nesse sentido, a instituição acaba sem condições de cumprir na íntegra sua real função social — o ensinar —, pois precisa partilhar o tempo com cuidados que deveriam ser abordados por outras esferas. Entende-se que, de maneira velada, a escola é tida como um “coringa” para uma sociedade sem limites e posição equivocada sobre o bem-estar social. Isso vale, principalmente, para o poder político, que impõe a transferência de responsabilidade para a escola sem criar mecanismos decentes para a sua valorização.