Justiça PREFEITO DE GUANHÃES
Prefeito de Guanhães, Evandro Lott, é denunciado por perseguir ex com uso de servidores e drones; diz MP
Chefe do Executivo está preso preventivamente desde 1º de abril e pode responder por diversos crimes, incluindo perseguição, violência psicológica e posse ilegal de armas
23/04/2026 17h04 Atualizada há 6 dias
Por: Helton Santos
Prefeito de Guanhães é preso em investigação por violência doméstica, diz Polícia Civil — Foto: Prefeitura de Guanhães

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o prefeito de Guanhães, Evandro Lott Moreira (Republicanos), por uma série de crimes envolvendo violência contra a ex-companheira, com quem manteve um relacionamento por quase 13 anos. Ele está preso preventivamente desde o dia 1º de abril e deve responder por ameaça qualificada, perseguição, violência psicológica e posse de arma de fogo.

A denúncia foi apresentada no último dia 13 de abril pela Procuradoria de Justiça Especializada em Ações de Competência Originária (PCO), órgão que atua em casos envolvendo autoridades com foro especial no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Segundo o MPMG, os crimes teriam ocorrido entre agosto de 2025 e março deste ano, após o prefeito não aceitar o fim do relacionamento, oficializado em fevereiro de 2024.

De acordo com as investigações, Evandro Lott Moreira teria feito diversas ameaças de morte à ex-companheira. Em uma das situações, ele enviou a imagem de uma arma de fogo por aplicativo de mensagens. Em outra, afirmou que não aceitaria a separação, dizendo que a vítima “não seria de mais ninguém” e chegando a declarar que já teve vontade de matá-la.

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Testemunhas também relataram falas ainda mais graves, nas quais o prefeito teria afirmado que poderia “sumir” com a vítima e o atual companheiro dela mediante pagamento, indicando possível premeditação e tentativa de intimidação.

Um dos pontos mais graves destacados pelo Ministério Público é a perseguição sistemática. Segundo a denúncia, o prefeito teria monitorado a rotina da vítima de forma constante, utilizando inclusive servidores públicos subordinados e equipamentos como drones para acompanhar seus deslocamentos, caracterizando violação à liberdade e à privacidade.

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O MPMG também aponta que a vítima foi submetida a violência psicológica contínua, com práticas de manipulação, constrangimento e controle. Durante o período eleitoral, o prefeito teria utilizado informações íntimas da ex-companheira, incluindo traumas pessoais, para benefício político, expondo a vítima publicamente e causando sofrimento emocional.

Além disso, conforme a denúncia, ele teria obrigado a ex-companheira a manter a aparência de um relacionamento estável em público, mesmo após a separação, e adotado estratégias para desqualificá-la, inclusive sugerindo a terceiros que ela estaria com problemas mentais.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram localizadas armas de fogo em imóveis ligados ao prefeito, incluindo um revólver calibre .38, encontrado em sua residência, e uma espingarda calibre .36, em uma propriedade rural.

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público solicitou à Justiça a manutenção da prisão preventiva, alegando risco à vítima, possibilidade de interferência nas investigações e uso do poder político para obstruir a Justiça. O órgão também pediu o desmembramento do caso para investigar outros possíveis crimes, como tentativa de feminicídio, abuso de autoridade, rachadinha e uso indevido de recursos públicos.

O caso segue em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.