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Difamação e desvio de função
Colunista Júlio Couto
07/05/2026 18h52
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

As instituições, via de regra, são estruturalmente perfeitas. Mesmo aquelas de menor destaque na sociedade possuem sua necessária e justa função social, estando, de alguma maneira, a serviço do desenvolvimento e bem-estar do coletivo. No entanto, o fato de serem bem concebidas em sua criação não significa que possuam os mesmos predicados em seu funcionamento. Por trás de cada norma, há a presença humana que, inevitavelmente, pode demonstrar ou não coerência e capacidade intelectual no gerenciamento.

A inoperância de uma instituição específica interfere diretamente no funcionamento de outras, provocando uma sobrecarga ou desvio de função. Muitas vezes, torna-se inevitável esquivar-se de tarefas extras, e até injustas, quando a engrenagem social falha. A escola está entre as instituições que ocupam-se de cumprir funções que, na realidade, não seriam de seu ofício primordial, mas que se tornaram parte de sua rotina diária.

A escola atual passa por essa sobrecarga; encarrega-se de demandas que não deveriam ser suas, mas, por estar na linha de frente, atua para evitar problemas sociais ainda maiores caso não proponha soluções. Logicamente, a escola não é capaz de resolver todas as mazelas sociais sozinha, mas os problemas sociais passam por ela, que, de alguma maneira, os absorve e busca respostas.

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Frequentemente, notam-se críticas infundadas sobre as instituições de ensino, estendendo-se às universidades federais, vez ou outra taxadas injustamente de irresponsáveis no âmbito ético-social. Muitos destes críticos, inclusive figuras de destaque social e do meio político, fazem questão de difamar as escolas e universidades públicas brasileiras. Curiosamente, observa-se que parentes desses mesmos críticos frequentemente tentam ingressar nessas instituições, falhando devido à reprovação nos processos seletivos. A difamação parece, portanto, ser uma estratégia para diminuir a concorrência e facilitar o acesso de familiares ao quadro de estudantes destas renomadas instituições.

Em suma, é preciso separar a estrutura ideal das instituições do seu funcionamento humano. A escola brasileira, em particular, precisa ser valorizada por sua função social adaptativa, e não difamada por interesses encobertos. Defender a educação pública é, acima de tudo, garantir o desenvolvimento coletivo contra a inoperância de outras instâncias.

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