Polícia ITAÚNA
Réu afirma que briga pelo volante provocou acidente na MG-050
Defesa pede liberdade provisória enquanto Justiça avalia novas provas sobre a morte de mulher em Itaúna
08/05/2026 05h49 Atualizada há 4 meses
Por: Diego Jorge
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O acusado pela morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, prestou depoimento à Justiça durante audiência de instrução realizada na quinta-feira (7/5) e negou ter cometido feminicídio. Alison de Araújo Mesquita, de 44 anos, afirmou que o acidente registrado na MG-050, em Itaúna, teria ocorrido após uma disputa física pelo controle do volante do carro.

Durante a audiência, foram ouvidas sete testemunhas apresentadas pela acusação e outras seis indicadas pela defesa. Em seguida, o réu foi interrogado e falou sobre o relacionamento que mantinha com a vítima, afirmando que os dois conviviam desde 2012, entre períodos de aproximação e afastamento, e que haviam firmado recentemente um compromisso de namoro.

Segundo Alison, na noite anterior ao acidente o casal teria consumido bebidas alcoólicas e entorpecentes antes de seguir viagem para Divinópolis na madrugada seguinte. Ele alegou que, durante o percurso, ocorreram discussões e agressões entre os dois e afirmou que Henay insistia em dirigir mesmo apresentando sinais de sono.

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O acusado declarou ainda que o acidente aconteceu no momento em que ambos disputavam o volante do veículo. Questionado sobre imagens de câmeras de segurança que o mostram carregando um objeto considerado pesado, Alison afirmou que transportava um colchão retirado do apartamento a pedido da própria vítima, supostamente motivada por ciúmes.

Ao término da audiência, a defesa solicitou novas diligências e pediu a liberdade provisória do réu. O Ministério Público de Minas Gerais se posicionou contra a soltura. A magistrada responsável pelo caso abriu prazo para apresentação de documentos e informou que irá decidir nos próximos dias sobre o pedido de liberdade. Após a conclusão das diligências, a Justiça deverá definir se Alison será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

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Investigação apontou contradições

A morte de Henay foi inicialmente tratada como consequência de um acidente de trânsito na MG-050. Porém, a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais passou a considerar a possibilidade de homicídio após surgirem elementos que levantaram dúvidas sobre a versão apresentada pelo companheiro da vítima.

Entre os indícios reunidos pela investigação estão imagens de uma praça de pedágio em que Alison aparece no banco do passageiro segurando o volante, enquanto Henay aparentava permanecer imóvel no banco do motorista.

Uma funcionária do pedágio também relatou comportamento considerado suspeito. Conforme o depoimento, a vítima não demonstrava reação dentro do veículo, enquanto o homem aparentava nervosismo, excesso de suor e apresentava arranhões pelo corpo.

O acidente ocorreu na manhã de 14 de dezembro de 2025, quando o carro invadiu a contramão em uma curva da MG-050 e colidiu frontalmente com um micro-ônibus de turismo. Henay morreu no local. Alison foi socorrido pelo Samu e preso no dia seguinte durante o velório da vítima, em Divinópolis. Segundo a Polícia Civil, análises periciais iniciais apontaram que a morte da mulher poderia não ter sido causada apenas pelo acidente automobilístico.