Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a fabricação, venda e distribuição de diversos produtos de uma marca famosa no ramo de limpeza e higiene. A interdição de uma das fábricas ocorreu devido ao alto risco de contaminação, resultando no desabastecimento temporário nas prateleiras. Trata-se de uma ação acertada, necessária e técnica do órgão regulador para proteger a saúde pública
No entanto, diante da situação, manifestações esdrúxulas têm surgido em defesa da marca. Circulam pela internet vídeos de pessoas irresponsáveis bebendo detergente, produto estritamente destinado à limpeza doméstica. Mais grave ainda, entre os negligentes que ignoram o risco, aparecem parlamentares de alto poder político, que, em tese, deveriam dar exemplos de zelo com a população. Essa postura ecoa o mesmo negacionismo científico observado durante a pandemia da Covid-19, onde orientações técnicas foram substituídas por opiniões sem embasamento.
É fundamental esclarecer: se a interdição foi necessária, há, no mínimo, uma suspeita fundamentada de risco. A análise rigorosa determinará se os produtos são seguros ou não. Caso a inspeção demonstre a ausência de irregularidades, os produtos deverão retornar ao mercado e ser disponibilizados aos consumidores. Caso contrário, a empresa deverá ter a oportunidade de corrigir tais falhas. O que deve prevalecer é a segurança sanitária, e não a qual grupo político a empresa patrocina ou deixa de apadrinhar.
Por fim, é provável que a ingestão de detergente por tais figuras públicas não passe de um ato cênico, uma performance vazia para angariar apoio nas redes sociais. Contudo, essa encenação é perigosa. O que deve ser levado em consideração é o risco real à saúde das pessoas, e não a estupidez de quem tenta transformar saúde pública em cabo de guerra ideológico do qual não interfere em nada no bem-estar social.