Alguns políticos detentores do poder afirmam que se gasta muito no setor educacional. Sob a ótica puramente financeira deles, essa pode até ser uma afirmação verdadeira. Contudo, gastar muito não significa gastar certo ou de maneira coerente com a qualidade de toda a cadeia do sistema de ensino — principalmente no que diz respeito à valorização e ao incentivo aos profissionais da educação.
Na verdade, o professor é a peça fundamental de qualquer estratégia ligada à transformação pedagógica. Seria incoerente desejar um ensino de excelência quando a realidade da categoria desses profissionais é marcada por salários em descompasso com a sua importância e pela falta de planos de carreira atraentes. O autêntico investimento no setor educacional deve estar pautado na valorização de quem ensina. Sem professores motivados, capacitados e respeitados pelo Estado, os recursos financeiros aplicados tornam-se apenas números vazios em um orçamento ineficiente.
O dinheiro empregado nessa área jamais deveria ser visto como um "gasto", pois a qualidade do ensino determina a base de sustentação de uma sociedade. Embora não seja uma ciência exata, um país sem alicerces sólidos no sistema educacional está condenado ao fracasso intelectual e tem seu futuro severamente comprometido. A educação de qualidade tem o poder de transformar vidas, oferecendo às pessoas condições reais de emancipação e ferramentas para escaparem de armadilhas manipuladoras.
Essas armadilhas, por mais irônico que pareça, são arquitetadas justamente por políticos que buscam a permanência no poder. Eles sabem que uma sociedade educada, politizada e consciente dificulta a eleição daqueles que não estão preparados para liderar os poderes Executivo e Legislativo. Sendo assim, a estratégia mais conveniente para esses espertalhões, beneficiados pelo próprio sistema político, é criar mecanismos que facilitem o acesso rápido ao diploma, garantindo que os formados saiam sem uma base sólida de conhecimento e incapazes de fazer a diferença em suas próprias realidades.