A educação no Brasil não demonstra ser uma instituição levada a sério pelo Poder Público. Essa negligência se manifesta em todos os níveis de governo, com destaque para a esfera estadual, que concentra o maior domínio prático do sistema educacional.
O que de fato ocorre na realidade brasileira é uma maquiagem de todo o aparato pedagógico. Muitas vezes, os profissionais da área se esforçam no intuito de priorizar a qualidade dentro das escolas. No entanto, esses mesmos trabalhadores acabam sendo utilizados pelo governo como ferramentas que, involuntariamente, mascaram a precariedade perante a sociedade.
Essa engrenagem gera um impacto complexo. Caso o profissional da educação receba uma remuneração justa, ele terá condições de buscar cada vez mais conhecimento para levar à sala de aula. Uma melhor valorização salarial promove condições dignas de trabalho, o que interfere diretamente no desempenho dos estudantes. O aluno, sendo bem assistido pelo professor, é estimulado a buscar o saber de forma constante. Como consequência, desenvolve senso crítico e deixa de ser facilmente manipulado pelas estruturas de poder vigentes.
Partindo desse ponto de vista, compreende-se que não é de interesse dos governantes investir na qualidade real do setor educacional. Afinal, cidadãos conscientes e politizados representam uma ameaça direta à permanência das elites em espaços de poder. O receio histórico em dar a devida atenção à educação está diretamente relacionado ao medo da inversão de comando entre os detentores do capital econômico e o povo, que passaria a ocupar cargos estratégicos em prol do bem-estar coletivo.