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Corrupção normalizada
Colunista Júlio Couto
25/06/2026 09h14 Atualizada há 3 meses
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

Historicamente, nota-se que a corrupção no Brasil tem sido tratada com uma nítida e incômoda normalidade, inclusive por aqueles que deveriam combatê-la de maneira incisiva. Nesse contexto, o recente escândalo do Banco Master serve como um reflexo atual dessa realidade, visto que arrasta, a cada dia, novas autoridades políticas para o centro de um esquema ilícito altamente prejudicial ao país.

Em primeira análise, é bem verdade que o desvio de conduta humana diante do poder não demonstra ser uma novidade. Contudo, a grande mudança contemporânea reside na existência de legislações direcionadas à investigação e na aplicação prática destas, mecanismos que outrora careciam de eficácia, bem como na velocidade com que a mídia expõe esses bastidores ao público. O que mais causa espanto, por conseguinte, é o profundo cinismo de alguns envolvidos, os quais usam os meios de comunicação para proferir justificativas completamente desconexas da realidade. Afinal, agem como se fosse legítimo se envolver em esquemas ilícitos, sobretudo tratando-se de autoridades públicas no exercício da função ou com alto poder de influência para se apossar das finanças públicas.

Além disso, sob a ótica do cidadão comum, que arca com uma das cargas tributárias mais altas do mundo, assistir ao suado dinheiro dos impostos financiar o enriquecimento de maus-caracteres gera uma indignação inevitável. Dessa forma, a maneira negligente como os bens públicos são geridos provoca uma crise moral coletiva. Como consequência, o brasileiro passa a questionar se ainda vale a pena o esforço de ser honesto, principalmente em um cenário onde burlar as regras aparenta ser a única vantagem concreta.

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Diante disso, é urgente e necessário que as autoridades policiais e jurídicas atuem de maneira cada vez mais imparcial e independente de favores políticos. Somente com o rigor das instituições haverá a possibilidade de a riqueza do país vir a garantir benefícios ao seu povo em sua totalidade, e não aos intermináveis esquemas ilícitos impregnados no sistema.