A cidade de Itabira viveu nesta terça-feira (30) um dos momentos mais importantes da sua história recente com a inauguração da primeira Casa da Igualdade Racial de Minas Gerais e da quinta unidade do Brasil. O equipamento, criado pelo Governo Federal por meio do Ministério da Igualdade Racial, chega ao município com a missão de ampliar o acesso a direitos, combater o racismo e fortalecer as políticas públicas voltadas à população negra, quilombola e aos povos e comunidades tradicionais.
A cerimônia contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, da deputada federal Dandara, das deputadas estaduais Macaé Evaristo, Andréia de Jesus e Bella Gonçalves, além do secretário nacional de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial, Clédisson Júnior, do prefeito Marco Antônio Lage, da secretária de Governo Dulce Citi e do vereador Ronaldo Capoeira.
Durante a inauguração, a ministra Rachel Barros destacou que a Casa da Igualdade Racial nasce como um espaço de acolhimento, proteção e promoção da cidadania.
"Estamos inaugurando a quinta Casa da Igualdade Racial do Brasil. É um legado que estamos construindo para aproximar as políticas públicas das pessoas e transformar realidades", afirmou.
Segundo a ministra, o racismo ainda é uma das maiores feridas da sociedade brasileira e seu enfrentamento exige não apenas leis, mas também políticas públicas efetivas e presença do Estado junto à população.
A unidade oferecerá atendimento jurídico, psicológico e assistência social para vítimas de discriminação racial, além de ações voltadas à qualificação profissional, inclusão econômica, cultura, economia criativa e fortalecimento das comunidades tradicionais.
"A igualdade racial agora tem casa", resumiu a ministra.
A escolha de Itabira para receber a primeira unidade mineira não aconteceu por acaso. Dados apresentados durante o evento apontam que mais de 70% da população do município se autodeclara preta ou parda, realidade diretamente ligada à história da mineração e da formação econômica da cidade.
Para o prefeito Marco Antônio Lage, a inauguração representa um passo importante no processo de reparação histórica.
"Itabira foi construída pela força do trabalho da população negra, especialmente ligada à mineração. A Casa da Igualdade Racial é também um gesto de reconhecimento e reparação histórica", afirmou.
O prefeito destacou ainda iniciativas já desenvolvidas pelo município, como conferências de igualdade racial, valorização das comunidades quilombolas e ações de preservação da memória de lideranças negras como Dona Tita e Dona Rosinha.
"Itabira quer ser uma cidade antirracista, referência em Minas Gerais e no Brasil", declarou.
O secretário nacional Clédisson Júnior ressaltou que a implantação da unidade em uma cidade do interior representa um passo importante para descentralizar as políticas públicas e compreender as necessidades específicas dos territórios marcados pela mineração e pela presença histórica da população negra.
A deputada estadual Macaé Evaristo definiu a Casa da Igualdade Racial como um sonho antigo dos movimentos sociais e da população negra.
"É um espaço de acolhimento, produção de informação e redução das desigualdades. Um espaço que vai ampliar a inserção no mundo do trabalho e a qualificação profissional", afirmou.
A parlamentar destacou ainda a importância da criação de mecanismos permanentes de financiamento das políticas de igualdade racial, como o Fundo da Igualdade Racial em discussão no Congresso Nacional.
Já a deputada Andréia de Jesus ressaltou que o equipamento terá papel fundamental no acolhimento das vítimas de racismo e intolerância religiosa.
"O racismo não pode ser naturalizado. Muitas vezes ele acontece dentro das escolas, no ambiente de trabalho, nas relações afetivas e até dentro das unidades de saúde", afirmou.
Segundo ela, a Casa oferecerá orientação e segurança para que as vítimas possam denunciar e buscar seus direitos.
"Aqui é um lugar seguro para o povo preto", destacou.
A deputada federal Dandara lembrou que a unidade oferecerá uma ampla rede de serviços à população.
"Teremos apoio jurídico, psicólogos, acolhimento, formação e cursos. Vai cuidar desde os casos de racismo até o empoderamento da população negra", afirmou.
A parlamentar destacou ainda que atuou em Brasília para garantir a instalação da unidade em Itabira e anunciou o envio de R$ 200 mil em emenda parlamentar para fortalecer o funcionamento da Casa.
"Nunca mais um Brasil sem nós. Todo lugar tem que ser o nosso lugar", declarou.
A deputada Bella Gonçalves destacou que a conquista é resultado da luta histórica do povo negro, do Congado, da capoeira e das comunidades tradicionais.
"Sem combater o racismo, não existe democracia", afirmou.
Ela também defendeu políticas voltadas à juventude negra, às comunidades quilombolas e à cultura afro-brasileira.
Para a secretária de Governo Dulce Citi, a Casa representa muito mais do que uma estrutura física.
"Essa casa representa a dignidade racial e a igualdade do povo preto", afirmou.
Ela lembrou ainda as homenagens prestadas às lideranças negras Dona Tita e Dona Rosinha, cujas histórias agora fazem parte do espaço inaugurado.
O vereador Ronaldo Capoeira destacou a importância da valorização da cultura afro-brasileira e da capoeira como patrimônio cultural e símbolo de resistência.
"A capoeira é preta", resumiu o parlamentar ao final da entrevista.
Além de atender moradores de Itabira, a expectativa é que a Casa da Igualdade Racial também se torne referência para municípios vizinhos e comunidades quilombolas do Médio Piracicaba e do Vale do Rio Doce, incluindo localidades de Santa Maria de Itabira, que possui comunidades quilombolas reconhecidas como Barro Preto, São Pedro e Indaiá.
A inauguração da primeira Casa da Igualdade Racial de Minas Gerais coloca Itabira na vanguarda das políticas públicas de promoção da igualdade racial no país e reforça o compromisso do município com a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e livre do racismo.