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Falácia retrógrada
Colunista Júlio Couto
02/07/2026 22h07
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

Recentemente, um pré-candidato à Presidência da República deu uma declaração inadequada sobre o acesso à educação e ao mercado de trabalho formal baseada na divisão de gênero. Em seu posicionamento, há a defesa de uma distinção explícita entre homens e mulheres. Segundo a visão do político, os homens devem ser incentivados a concluir os estudos e cursos técnicos para ingressarem no mercado, enquanto as mulheres deveriam voltar suas atenções exclusivamente para as atribuições domésticas. Essa falácia demonstra que o preconceito e a segregação de gênero fazem parte do projeto de governo desse candidato.

Nesse sentido, essa infeliz declaração caminha na contramão do desenvolvimento social contemporâneo, no qual homens e mulheres devem, indiscutivelmente, ter as mesmas oportunidades, além de equidade na busca por conhecimento e evolução intelectual. A estratégia do postulante ao cargo máximo do Poder Executivo brasileiro mostra-se totalmente incompatível com a relevância do posto que almeja. Trata-se de uma postura incoerente com o respeito básico devido a qualquer ser humano, independentemente de seu gênero, ferindo princípios constitucionais de igualdade.

Por fim, o esdrúxulo comentário do concorrente surgiu em um momento ruim, mas o cenário seria ainda pior se tal postura fosse revelada apenas após uma vitória nas urnas, com o sujeito já no comando do país. Como a exposição dessa visão atrasada ocorreu no período que antecede as eleições, o episódio acaba por prestar um serviço ao eleitor. Diante dos fatos, cabe agora ao cidadão consciente utilizar o voto para rejeitar um mandatário que planeja usar a máquina pública para excluir e discriminar pessoas.

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