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Dinheiro sem dono
Colunista Júlio Couto
17/07/2026 12h43
Por: Redação
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

É evidente que a farra com o dinheiro público está, a cada dia, extrapolando os limites de qualquer imaginação. A audácia de indivíduos com acesso ao erário em desviar ou empregar esses recursos em benefício próprio, ou em favor de seu grupo, demonstra que, na visão desses agentes, o patrimônio coletivo é tratado como se não tivesse dono.

Em primeira análise, embora o direcionamento abusivo de verbas por parte de parlamentares já seja previsível, a gravidade do cenário atual reside no surgimento de um novo elemento: além dos políticos eleitos pelo povo, indivíduos sem mandato estão administrando recursos que, em tese, deveriam ser de responsabilidade exclusiva do Poder Legislativo. Trata-se de uma afronta ao princípio da legalidade, visto que delegam o controle do orçamento a quem jamais deveria ter o poder de direcionar ou gerir tais quantias.

Ademais, investigações da Polícia Federal apontam que presidentes de partidos políticos e aspirantes a cargos eletivos controlaram esse alto poder econômico em benefício próprio. Por conseguinte, essa situação configura um cenário absurdo de concorrência desleal contra os demais candidatos que disputam o poder de forma limpa. Sobretudo, torna-se difícil crer que tal ação tenha sido iniciada e praticada apenas por esses dois indivíduos, os quais, ironicamente, costumam fazer uso do nome de Deus.

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Diante disso, com a exposição de figuras de grande influência no meio político operando livremente os cofres públicos, torna-se evidente a tendência de que esses valores sejam direcionados para a perpetuação de aliados no poder. Infelizmente, a frouxidão das leis e as brechas jurídicas existentes acabam facilitando a atuação desses sujeitos, permitindo que eles lesem o Estado e se projetem politicamente às custas da coisa pública.