O 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Eduardo, preso após a morte da esposa, a capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos, afirmou em depoimento à polícia que o casal consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy antes de manter relações sexuais com práticas de dominação e agressões físicas consensuais. A oficial deu entrada sem vida no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, na noite de segunda-feira, 20 de julho, e o caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Segundo o registro da ocorrência, o casal havia realizado uma confraternização na residência na noite anterior. Após a saída dos convidados, por volta das 5h, os dois teriam consumido bebidas alcoólicas e ecstasy antes de manter relações sexuais envolvendo práticas conhecidas como "spanking", caracterizadas, segundo o depoimento, por atos consensuais de dominação e agressões físicas.
Ainda conforme a versão apresentada pelo sargento, esse tipo de prática era habitual durante o relacionamento, que durava aproximadamente oito anos, e os atos realizados naquela ocasião teriam sido gravados em vídeo. O militar declarou que as práticas eram consensuais e frequentes entre o casal, incluindo agressões corporais, compressão do pescoço e atos de dominação.
O sargento relatou ainda que, por volta do meio-dia, Michele teria caído ao descer uma escada da residência. Segundo ele, a capitã sofreu um corte profundo na cabeça, lesões na boca e passou a reclamar de tontura. O militar afirmou que conteve o sangramento, prestou auxílio e a colocou para descansar. De acordo com seu depoimento, a oficial recusou atendimento médico por estar constrangida em razão do consumo de drogas.
Ainda segundo o relato, o casal dormiu por volta das 15h. O sargento afirmou que, ao acordar, aproximadamente às 21h, percebeu que Michele não respondia aos estímulos e decidiu levá-la ao Hospital Odilon Behrens.
Na unidade de saúde, a equipe médica constatou que a capitã já havia chegado sem sinais vitais. Durante a avaliação, foram identificados traumatismo craniano e diversas lesões pelo corpo, circunstâncias que motivaram o acionamento imediato da Polícia Militar.
A médica responsável pelo atendimento também registrou a presença de múltiplos hematomas e outras lesões traumáticas. Conforme o registro da ocorrência, a avaliação inicial indicou que a parada cardiorrespiratória poderia ter ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital. Essas informações serão confrontadas com os laudos do Instituto Médico-Legal (IML) e demais exames periciais.
Após a confirmação do óbito, a perícia da Polícia Civil realizou levantamentos no hospital e na residência do casal, localizada no bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de Belo Horizonte. Um cabo de madeira quebrado foi apreendido no imóvel para análise pericial, assim como outros materiais considerados relevantes para a investigação.
O sargento foi encaminhado ao Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde prestou depoimento e permaneceu preso. A Polícia Civil segue investigando se a versão apresentada pelo militar é compatível com os elementos técnicos reunidos durante a apuração.
Até o momento, não há conclusão oficial sobre a dinâmica da morte nem decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade criminal. O investigado tem assegurados o direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, conforme estabelece a Constituição Federal.
Esta reportagem está em atualização e poderá ser alterada à medida que novas informações oficiais forem divulgadas pelas autoridades.