
Um homem de 23 anos foi preso suspeito de abusar sexualmente da enteada de 8 anos, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A mãe da menina também foi indiciada. Segundo a Polícia Civil, ela sabia da prática dos crimes, que eram recorrentes, e não denunciou o companheiro.
De acordo com a corporação, os abusos ocorriam desde que a criança tinha cerca de 5 anos de idade, mas só chegaram ao conhecimento das autoridades no dia 21 de janeiro, depois que a vítima, chorando, contou aos tios maternos o que estava acontecendo e pediu ajuda.
O padrasto passava a mão no corpo da menina e colocava o órgão sexual na boca dela, segundo a polícia. Ele ainda teria feito o mesmo com uma colega dela, de 7 anos.
Os tios da vítima acionaram a Polícia Militar, mas, naquele dia, os policiais não conseguiram localizar o suspeito. A mãe da criança negou que sabia dos crimes e se recusou a passar o endereço do trabalho do companheiro.
A Polícia Civil começou a investigar o caso e descobriu que, três dias depois da denúncia, em 24 de janeiro, o homem viajou para o Espírito Santo.
Já no início de fevereiro, a mãe da colega da enteada do suspeito também procurou a delegacia. Ela disse que a filha confirmou ter sido vítima de abuso sexual.
"Pela existência de duas crianças vítimas e dessa notícia de possível fuga do suspeito, foi representado pela prisão preventiva dele. Nós continuamos com as diligências para tentar saber o paradeiro dele no Espírito Santo, e ele acabou conversando por telefone com uma policial. Após ser convidado, prontificou-se a comprar uma passagem para Betim para prestar sua versão sobre os fatos", explica a delegada Ariadne Elloise Coelho, responsável pelo caso.
O homem compareceu à delegacia na última segunda-feira (8), quando foi preso preventivamente. Ele negou ter abusado das duas crianças e disse que foi para o Espírito Santo porque tinha sofrido ameaças de morte.
No entanto, as investigações comprovaram a prática dos crimes. Segundo a polícia, a maioria dos atos ocorreu de madrugada ou de manhã, quando a mãe da vítima saía para trabalhar.
"Os familiares, avós e tios maternos, além de uma vizinha, confirmaram essa versão da criança, além de atestar o fato de que a mãe tinha, sim, conhecimento do que vinha acontecendo com a filha há algum tempo. As investigações foram concluídas, e ele foi indiciado por estupro de vulnerável com o aumento da pena pela condição de padastro e por terem ocorrido vários episódios", afirma a delegada.
A mãe da menina também foi indiciada por estupro de vulnerável, mas na modalidade omissiva. Conforme a corporação, ela não denunciou o companheiro porque tinha um vínculo afetivo com ele.
"Ela, enquanto responsável legal da criança, tem o dever por lei de protegê-la. E, de acordo com as nossas apurações, ela não só devia, como podia ter agido, mas ficou inerte, omissa, não tomou providências", diz Ariadne. A mulher nega o crime e permanece em liberdade.
Segundo o tio da menina, que denunciou os abusos à polícia, agora, ela está vivendo com o pai biológico. "Vamos dar todo amor, carinho e apoio de que ela precisa para ser uma criança feliz e tentar esquecer tudo o que aconteceu", afirma.
A Polícia Civil ainda trabalha nas investigações do estupro de vulnerável da colega da enteada do suspeito.
"As investigações dessa coleguinha estão em andamento ainda. Elas estavam brincando, e, em determinado momento, ele colocou o órgão sexual na boca dessa menina. A enteada do suspeito fingiu que não viu, ela saiu na hora para pegar água, porque ficou com medo de apanhar", conta a delegada.
A policial alerta para a importância de manter atenção constante ao comportamento das crianças. Mudanças repentinas podem indicar que algo está errado.
"Às vezes a criança começa a falar que não quer ir para determinado local, fica mais triste, regride na escola, volta a fazer xixi na cama, fica mais introspectiva. Pais e responsáveis legais precisam manter diálogos com essa criança, deixando que ela fique à vontade para contar caso isso aconteça, porque a criança sente culpa, tem medo", conclui.