A Cemig registrou, entre janeiro e agosto deste ano, 92 ocorrências no sistema elétrico provocadas por queimadas em Minas Gerais. Os incêndios e focos de fogo afetaram o fornecimento de energia para mais de 46 mil clientes em diferentes regiões do estado.
A situação é ainda mais preocupante na Região Leste de Minas, onde foram registradas 23 ocorrências causadas por queimadas. Segundo a companhia, cerca de 27 mil clientes foram prejudicados, fazendo da região a área com o maior número de consumidores afetados por incêndios e queimadas no estado.
Além dos prejuízos ambientais, as queimadas representam riscos para a população e para o sistema elétrico. O fogo pode danificar postes, cabos, torres e outros equipamentos da rede, provocando interrupções no fornecimento de energia e dificultando o trabalho das equipes responsáveis pelos reparos.
Dependendo da gravidade da ocorrência, hospitais, escolas, comércios, residências e outros serviços podem ficar sem energia elétrica.
Segundo o engenheiro de Operação da Distribuição da Cemig, Jorge Magno Alves Pereira, os danos provocados pelas chamas podem tornar o restabelecimento do serviço mais demorado.
“Vários equipamentos, como postes, cabos e torres, podem ser danificados pelas chamas e isso torna o restabelecimento do serviço mais demorado, o que pode trazer transtornos para os clientes das distribuidoras de energia elétrica. Além disso, o volume alto de fumaça pode trazer sérios danos à saúde, principalmente nesta época do ano em que doenças respiratórias são mais comuns”, afirma.
A Cemig alerta que grande parte dos focos de incêndio e queimadas é provocada pela ação humana. Por isso, a companhia reforça a necessidade de conscientização, principalmente durante o período de estiagem, quando a baixa umidade do ar e a vegetação seca aumentam os riscos de propagação do fogo.
“Por isso, é importante que as pessoas se conscientizem dos impactos causados por suas ações, pensem de forma coletiva e evitem dar início a focos de incêndio que podem tomar grandes proporções e causar muitos estragos”, reforça o especialista.
Entre as medidas de prevenção, a população deve apagar completamente fogueiras e restos de fogo utilizados em acampamentos, evitando que brasas sejam levadas pelo vento para áreas de vegetação.
Outra orientação é não jogar pontas de cigarro acesas em rodovias, estradas ou áreas rurais.
A Cemig também alerta para o descarte inadequado de materiais em locais com vegetação. Garrafas e outros recipientes de vidro ou plástico não devem ser deixados expostos ao sol, pois podem contribuir para a formação de focos de incêndio.
A companhia destaca ainda que realizar queimadas de forma irregular pode ser considerado crime e levar à responsabilização do autor.
Mesmo em situações em que a prática é permitida por lei, existem restrições e regras que precisam ser respeitadas. As queimadas não devem ser realizadas a menos de 15 metros de rodovias, ferrovias e dos limites das faixas de segurança das linhas de transmissão e distribuição de energia.
Também é proibido o uso do fogo em áreas de reservas ecológicas, áreas de preservação permanente e parques florestais.
Outro desafio enfrentado pelas equipes da Cemig é a dificuldade de acesso aos locais onde a rede elétrica é atingida.
Muitas ocorrências acontecem em áreas rurais, regiões de mata ou locais de terreno acidentado, o que torna mais difícil o transporte de equipamentos e estruturas necessárias para os reparos.
“Geralmente, são locais de difícil acesso e em áreas rurais muito amplas. Além disso, levar estruturas pesadas, como torres e postes, em áreas acidentadas, torna ainda mais complexa a manutenção das redes danificadas pelas queimadas”, destaca Jorge Magno Alves Pereira.
Para reduzir os riscos de ocorrências provocadas por queimadas, a Cemig mantém ações preventivas em sua área de concessão em Minas Gerais.
Entre os trabalhos realizados estão a limpeza das faixas de servidão, poda de árvores e arbustos e a remoção de vegetação próxima a postes e torres.
A companhia também realiza inspeções nas linhas de transmissão e distribuição para identificar possíveis riscos e evitar danos à infraestrutura elétrica.
A orientação é que a população redobre os cuidados durante o período seco. Além de provocar danos ambientais e riscos à saúde, as queimadas podem comprometer o fornecimento de energia e causar transtornos para milhares de pessoas.