A legislação brasileira garante a educação inclusiva a todos, sem distinção. No entanto, a realidade escolar revela um abismo entre as diretrizes governamentais, sobretudo estaduais e o cotidiano das salas de aula. Embora existam o espaço físico e o docente, o sistema falha ao negligenciar as peculiaridades de aprendizagem de cada estudante.
Essa desconexão penaliza discentes com deficiência ou necessidades específicas. Se por um lado exige-se que o corpo docente elabore sequências didáticas universais, por outro ignora-se que o professor regente carece de formação para gerenciar especificidades tão diversas em salas superlotadas. Além disso, a cobrança burocrática por relatórios ignora a falta de ferramentas práticas fornecidas pelo próprio Estado.
Consequentemente, para cumprir metas de um sistema falho, o docente é empurrado para uma armadilha pedagógica. Visto que faltam materiais estruturados pelo governo e apoio especializado, o regente desdobra-se solitário entre extremos de alunos com graves dificuldades a estudantes com altas habilidades. O resultado é doloroso: em vez de intervenção pedagógica real, criam-se atividades paliativas que apenas mantêm o aluno ocupado.
Reduzir o professor a um mero gerenciador de ocupações é, portanto, uma negligência que mascara a exclusão. Afinal, a aprendizagem efetiva e a inserção social digna só ocorrerão quando a equidade deixar de ser uma utopia burocrática. O Estado deve assumir sua responsabilidade fornecendo formação continuada, insumos adaptados e profissionais de apoio, pois cobrar inclusão sem oferecer estrutura não é pedagogia; é transferência de culpa.