O produtor rural e agricultor familiar Aeliton Rodrigues Almeida, de 63 anos, destacou a importância da valorização da agricultura familiar e do fortalecimento da APAFI – Associação dos Produtores da Agricultura Familiar, durante pronunciamento e entrevista após sua participação na Câmara Municipal de Itabira.
Morador da comunidade do Gaspar, na zona rural de Itabira, desde 1983, Aeliton construiu uma trajetória marcada pelo trabalho no campo, pela fé, pelo associativismo e pela atuação em defesa das comunidades rurais.
Atualmente presidente da APAFI, entidade que reúne 48 agricultores associados, ele afirmou que um dos principais desafios da associação é ampliar o reconhecimento da população sobre o trabalho desenvolvido pelos produtores familiares.
Segundo Aeliton, a agricultura familiar precisa ganhar mais visibilidade para que os consumidores conheçam a origem e a qualidade dos alimentos produzidos no município.
“A APAFI hoje é pouco reconhecida porque ela não aparece. Essa visão de a gente vir aqui e conversar é boa, porque a gente fica mais conhecido e consegue produzir com qualidade e com pé no chão”, destacou.
Para o presidente, produzir alimentos não é suficiente quando o agricultor não possui segurança para comercializar sua produção.
“Não adianta produzir se não tiver segurança de que vai vender. Sem o reconhecimento do povo, sem as pessoas saberem o que é a APAFI e como ela trabalha, não é fácil”, afirmou.
Aeliton ressaltou que os agricultores familiares ligados à associação trabalham para oferecer produtos de qualidade e de boa procedência, incluindo alimentos produzidos sem agrotóxicos.
Segundo ele, é importante que a população conheça os produtores e valorize os alimentos cultivados nas propriedades rurais de Itabira.
A APAFI também atua como ponte entre produtores e consumidores. Pessoas interessadas em adquirir produtos da agricultura familiar podem buscar informações junto à associação, que realiza reuniões bimensais e auxilia no contato direto com os produtores.
De acordo com Aeliton, dependendo da organização e da disponibilidade, os agricultores podem realizar entregas diretamente aos consumidores.
Entre os principais desafios enfrentados pelos agricultores familiares está a dificuldade de manter a produção durante períodos de chuvas intensas.
Aeliton explicou que muitos pequenos produtores ainda não possuem estrutura adequada para proteger determinadas culturas.
Em períodos chuvosos, produtos como cenoura e beterraba podem sofrer perdas. Mesmo assim, segundo ele, o agricultor familiar busca recuperar a produção durante a época de seca.
“O pequeno produtor pode perder a produção, mas ele não desiste. Na época da seca, consegue recuperar parte do dano perdido”, afirmou.
Outro ponto destacado pelo presidente foi a importância da patrulha agrícola, considerada uma das principais ferramentas de apoio aos pequenos produtores.
Segundo Aeliton, a APAFI atualmente depende diretamente desse serviço para manter o suporte aos agricultores associados.
A principal característica do modelo adotado pela associação é a possibilidade de pagamento pelos serviços com produtos agrícolas, evitando que o pequeno produtor precise desembolsar dinheiro imediatamente.
“A APAFI presta o serviço para o pequeno produtor e ele paga em produto. Ele não paga em dinheiro. Isso ajuda o agricultor a continuar vivendo na roça, plantando e mantendo a diversidade da produção”, explicou.
O serviço é oferecido com valores subsidiados, buscando reduzir os custos para os agricultores familiares.
A APAFI também está aberta à entrada de novos associados.
Para se filiar, o produtor precisa possuir a CAF – Cadastro Nacional da Agricultura Familiar e participar das reuniões da associação.
Segundo Aeliton, após apresentar a documentação e acompanhar três reuniões, o agricultor pode realizar a filiação na quarta participação.
Além da atuação à frente da APAFI, Aeliton Rodrigues Almeida possui uma longa trajetória ligada ao associativismo e ao desenvolvimento rural.
Ele foi fundador e primeiro presidente da AAPITAR – Associação dos Apicultores de Itabira e Região, criada em 2009, permanecendo na presidência até 2014.
Também participou da fundação da Central de Abelhas e contribuiu para a criação de uma sala coletiva de beneficiamento de mel, iniciativa voltada ao fortalecimento da apicultura e à melhoria das condições de produção dos apicultores da região.
Atualmente, Aeliton também é titular do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Itabira, participando das discussões relacionadas às políticas públicas de alimentação e agricultura.
Sua atuação também se estende à comunidade e à vida religiosa. Durante 17 anos, trabalhou como catequista de iniciação cristã e crisma na comunidade do Gaspar.
Aeliton ainda foi um dos fundadores da Capela Nossa Senhora de Fátima, na comunidade rural do Giral, cuja construção começou em 1992 e que atualmente recebe celebrações mensais.
Ele também atuou durante quatro anos como conselheiro do CODEMA – Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente.
Casado há 39 anos, pai de dois filhos e avô de dois netos, Aeliton Rodrigues Almeida se tornou uma referência entre os produtores e comunidades rurais de Itabira pela defesa da agricultura familiar, pelo incentivo ao associativismo e pela participação ativa em causas comunitárias.