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Advogada, Familiares de Presos e Policiais Penais são presos em operação da Polícia Civil que investiga presídio de segurança máxima em MG

A operação aconteceu na manhã desta quarta-feira (25)

Diego Jorge
Por: Diego Jorge Fonte: PCMG
25/08/2021 às 16h46
Advogada, Familiares de Presos e Policiais Penais são presos em operação da Polícia Civil que investiga presídio de segurança máxima em MG

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25/8), nos municípios de Montes Claros, Francisco Sá e São Francisco a operação Trojan, em combate aos crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foram cumpridos 46 ordens judiciais, entre elas 14 mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão, 16 bloqueios de contas bancárias e cinco afastamentos cautelares de cargo público.

Entre os suspeitos presos durante a ação estão policiais penais, detentos, familiares de presos e uma advogada. Eles são suspeitos de agir com exclusivo objetivo de conseguir informações, facilitar entradas de objetos proibidos e ilícitos em uma penitenciária, e executar operações indevidas e criminosas para a obtenção de vantagens econômicas impróprias.

Investigação

Por meio de investigações, iniciadas em setembro de 2019, a equipe da Delegacia de Investigações Especiais em Montes Claros analisou 80 ocorrências policiais, registradas entre os anos de 2018 e 2021, com histórico de 100 celulares apreendidos no interior de uma penitenciária de segurança máxima no Norte do estado. O número expressivo de ocorrências, com histórico idêntico, sugeriu a violação de normas e a facilitação no acesso dos presos aos aparelhos.

Outro fator que também chamou atenção dos policiais civis diz respeito a fugas de alguns detentos, com possíveis facilitações por parte de agentes. Em um dos casos, três presos fugiram após terem acesso a serras, que chegaram por meio de encomendas registradas. Os policiais penais presos nessa fase da operação estavam escalados no dia que os presos escaparam.

O delegado Alberto Tenório conta que, em outra fuga, um detento permaneceu por dois dias fora da cela, escondido dentro da penitenciária. Segundo Alberto, trata-se de um episódio totalmente atípico.

Diante da recorrência dos fatos, a equipe policial analisou todos os telefones apreendidos no presídio, bem como examinou mais de 18 mil linhas e extratos de dados cadastrais. Ao todo, 100.333 ligações foram apuradas pelos policiais, sendo possível identificar os membros da organização criminosa que agiam na penitenciária.

Esquema criminoso

A investigação possibilitou entender como atuavam os investigados, responsáveis pela venda e facilitação da entrada de objetos ilícitos e celulares, bem como no repasse de informações que auxiliavam os presos em fugas ocorridas na penitenciária.

Conforme apurado, os celulares entravam no presídio de três formas distintas, contando sempre com a participação ativa de alguns servidores da unidade penitenciária. Em um dos métodos, os próprios agentes entravam com os celulares como se fossem deles e os aparelhos eram repassados para dois presos responsáveis pela faxina. A segunda forma contava com o apoio de parentes de presos, que amarravam os telefones em sacolas e jogavam pelo muro. Por último, os aparelhos eram enviados via Sedex. A encomenda era rastreada para chegasse no dia em que a equipe facilitadora estivesse escalada para o plantão.

Os celulares eram comercializados pelos agentes por valores entre R$15 e 16 mil, pagos por familiares dos presos. Para não chamar a atenção, a quantia era depositada na conta de um comerciante. Posteriormente, o dinheiro era dividido, sendo metade distribuída para os agentes e a outra parte, para presos envolvidos no esquema.

Na conta bancária utilizada pela organização criminosa para transações dos valores ilícitos, em nome do comerciante, foi identificada uma movimentação superior a R$100 mil, entre o período de janeiro a setembro de 2019.

Presos

De acordo com o delegado Alberto Tenório, entre os mandados de prisão deferidos pela Justiça, cinco foram expedidos contra policiais penais e dois foram cumpridos dentro da penitenciária alvo das investigações. Quatro pessoas responsáveis pela articulação do esquema criminoso fora da penitenciária, sendo elas um comerciante e parentes de detentos, também foram presas.

Já a advogada, detida durante a operação, é parente de um dos agentes penitenciários, sendo indicada para atuar na defesa de alguns detentos. Ela também é suspeita de participar da interlocução com a família dos detentos para a entrada de ilícitos no local.

Operação Trojan

A operação mobilizou 14 viaturas e contou com o empenho de 70 policiais civis do 11º Departamento em Montes Claros, da 1ª Delegacia Regional, das Delegacias de Polícia de Francisco Sá e São Francisco, além do suporte de 20 policiais penais, incluindo a Corregedoria do Departamento Penitenciário Estadual.

A chefia superior da PCMG disponibilizou ainda o apoio da Coordenação Aerotática (CAT).

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