
Os moradores da avenida D, no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, reclamam do acúmulo de lixo de um vizinho. O acusado é um idoso, de aproximadamente 60 anos, que vive de aluguel em uma das quatro casas do imóvel localizado no número 181. Quem passa pelo endereço se surpreende com a montanha de lixo espalhada pelo passeio da residência e com a outra montanha de sacos que está no interior do imóvel e é vista da rua.
O vigilante Ronie César Santos, de 55 anos, que mora quase em frente ao imóvel, conta que os moradores se preocupam com a quantidade de animais peçonhentos que começaram a aparecer no local desde que o idoso passou a morar no endereço, há um ano.
“Nós ficamos com medo. Todas as casas estão prejudicadas porque está aparecendo ratazanas, baratas, lacraias e escorpiões, além do mal cheiro. Agora, com esse período de chuva, a gente fica com medo da dengue. Nós não temos nada contra ele. O problema é que ele junta muito lixo”, relata o morador.
O medo das doenças que podem ser provocadas pela quantidade de lixo também é compartilhado pela moradora Larisse Lemos, de 32 anos, que reside com o marido e os filhos gêmeos, de 9 anos, ao lado do imóvel denunciado.
“Eu morro de medo desses animais peçonhentos. Durante a noite, eu pego os panos de chão e coloco nas portas para vedar bem. É Deus que nos guarda porque a gente vive com medo. Eu tenho medo pelos meus filhos, pelo marido, e por mim”, afirma.
O processo de acúmulo do morador, que vive no imóvel há um ano, foi percebido aos poucos. “Desde quando chegou aqui, ele vive juntando lixo. No início a gente achou que ele vendia material reciclável, mas depois percebemos que ele é um acumulador de material reciclável e de lixo orgânico”, conta Larisse.
Morando em meio aos sacos de lixo, o idoso não paga aluguel há dez meses, como conta a proprietária do imóvel, a aposentada Antonieta Medeiros, de 72 anos. “Ele pagou os dois primeiros meses. Mesmo assim, não foi o valor todo. Fiz o aluguel para ele a R$400 por mês, mas ele só pagou R$300, no primeiro e no segundo mês. Eu deixei porque fiquei com pena. Depois das denúncias, tentei conversar com ele, mas ele diz que vai limpar tudo e sair, mas não sai”, lembra a proprietária do imóvel.
Antonieta Medeiros diz que precisou entrar com uma ação na Justiça para tentar retirar o morador do imóvel e obrigá-lo a realizar a limpeza. “Eu precisei contratar um advogado. Ele já está se organizando e uma audiência foi marcada para o início de novembro”, esclarece.
O morador também teve a água e a luz cortadas por falta de pagamento. A reportagem tentou contato com o idoso, mas não conseguiu falar com ele.
Por meio de nota, a Prefeitura de Ribeirão das Neves informou que a Secretaria Municipal de Saúde já está ciente do caso, que “já é objeto de análise e discussão no Comitê Municipal que trata da questão dos denominados acumuladores”.
“Tanto o proprietário quanto o morador do imóvel já foram notificados para adotarem as providências de limpeza do local e, caso não o façam dentro do prazo fixado, serão adotadas as medidas administrativas e judiciais cabíveis”, diz o comunicado enviado.
Acumulador
A coordenadora municipal de Proteção e Defesa Civil Orlândia Barbosa Rodrigues, que esteve no endereço, explicou que essa é uma questão de saúde mental e que a situação já está sendo acompanhada.
“Como se trata de uma questão de saúde, todos os órgãos estão empenhados. A Secretaria de Saúde, a Vigilância Sanitária, a Defesa Civil e a Assistência Social estão acompanhando o caso. É importante lembrar que temos vários casos de acumuladores no município e nós acompanhamos esses casos. É importante deixar claro também que o acumulador é uma pessoa que precisa de um tratamento mental”, esclarece Orlândia.
Sobre a saída do morador, a coordenadora esclarece que ela só ocorre quando há uma aceitação por parte do acumulador.
“A saída dele é consensual. Tudo é conversado. Nesse momento, entra o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). O morador precisa entender a necessidade de ajuda. Quando ele aceita, a gente organiza todos os aparatos, chegando com caminhão e os materiais necessários para a limpeza e retirada”, explica Orlândia.