
Quem inventou que emoção e razão seriam antagônicas teve de se esforçar para dividir o que, na prática, é uma coisa só. A mente analítica é capaz disso, separa a realidade nos seus ingredientes constituintes e, depois, fica sem saber o que fazer com tudo separado e aparentemente desconexo, não sabe como juntar os cacos e encontrar um sentido maior.
A mente analítica, porém, não é desprovida de emoções, pelo contrário, não há nada mais emocionante do que o jogo de espelhos da mente, que se apaixona por si mesma e tenta fingir que tudo que contrariar o próprio raciocínio deveria ser catalogado como um antagonismo, quando, na prática, e paradoxalmente, é a emoção visceral que chama a razão a se vincular novamente com a realidade dos fatos, em vez de continuar viajando numa dimensão abstrata de raciocínios sem fundamento.
Agora encontre conforto para seus temores, procure se aproximar das pessoas que, sabidamente, lhe oferecem suporte e segurança. O conforto não há de ser considerado negativo, sem conforto o ser humano se traumatiza.
A única maneira sábia e produtiva de resolver os conflitos em andamento, é tentar encontrar uma saída criativa para esses, acomodando da melhor maneira possível os interesses divergentes. Isso só acontece por empenho.
Guarde para si seus planos, evite colocar sobre a mesa assuntos que, com certeza, atrairiam os palpites alheios, todos, sempre, oferecidos com muito boa vontade, mas que, na prática, espalham a brasa. Melhor não.
Para que as coisas não compliquem desnecessariamente, é preciso afiar o discernimento e distinguir, com clareza, a nem sempre evidente diferença entre o suprimento de uma necessidade, e a satisfação de um desejo.
O problema não está no que acontece, mas na sua maneira de interpretar o que acontece, porque aí se resolve o tanto de leveza ou de angústia que você vai ter de administrar diante do que acontece. Isso sim.
A abertura se manifesta como uma sensação de segurança, que vem com suficiente entusiasmo para perceber que, o que antes produzia medo e apreensão, é visto agora como possível. Sem grandes problemas, avance o possível.
Nada vai acontecer por obra e graça dos mistérios da vida ou pela inércia do que você conquistou no passado. Neste momento da construção de sua história, você vai precisar se atrever a fazer acontecer o que pretende.
Celebrar o sucesso alheio como se fosse o próprio é uma raridade entre os seres humanos, que passam o tempo inteiro enxergando os semelhantes e diferentes como se fossem obstáculos que deveriam ser desintegrados.
A complexidade do cenário não se mostra a você como uma forma de castigo, apesar de parecer isso, mas como um chamado à consciência para que apresente os instrumentos eficientes que desatarão o nó temporário.
Ainda que você se esforce para fingir que não se importa com o que pensam ao seu respeito, no fundo, sua alma, como todas as outras, precisa do olhar alheio para completar a misteriosa construção da identidade.
Poucas coisas serão mais eficientes do que você sair por aí em busca de novos instrumentos para administrar a realidade. Tudo que você precisa está por aí, ao alcance da mão, naquilo que não parece ter grande valor.
O dinamismo é importante, porque mesmo que não esteja acontecendo nada demais, mediante o movimento sua alma continua se sentindo bem, envolvida com a vida. O dinamismo evita o torpor repetitivo da inércia, isso sim.