
Muito abalado com a situação pela qual passou na manhã desta terça-feira (17), o motorista do coletivo 1750 (Águia Dourada/ Estação Diamante), que foi incendiado de forma criminosa em Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, teme viver algo semelhante outra vez. “Estou nessa função há nove meses. Nunca tinha visto isso. Sou casado, tenho uma filha. Não sei como será daqui pra frente”, revela. A ação foi causada por detentos que pedem melhorias nas penitenciárias do Estado. Um bilhete com a reclamação e uma ameaça foi deixado no local.
O motorista, que pediu para não ser identificado por medo, contou que havia acabado de chegar à rua Perimetral para iniciar a viagem, quando um dos autores do crime teria dito que um pneu do ônibus estava furado. “Estranhei, pois sempre conferimos os pneus na garagem, e estava tudo bem. Quando desci, ele disse que não tinha nada de errado com o carro e que na verdade iria colocar fogo”, contou.
O homem disse também que o autor mostrou que estava armado e pediu que ele entregasse uma carta à Polícia Militar (PM). “Ele não apontou a arma pra mim, sei que era prateada, nem sei se era verdadeira, pois não conheço arma, mas não pude arriscar. Ele disse que sabia que eu estava trabalhando, mas que eu não tinha nada a ver com isso, que era a forma dele chamar a atenção”, relata.
Foi então que outro homem surgiu, jogou gasolina no entorno do veículo e ateou fogo. “Em questão de segundos estava tudo queimando. Chamei a polícia e depois liguei para minha esposa e contei o que aconteceu. Fiquei com medo demais, tenho família. Não posso parar de trabalhar, preciso levar o sustento para casa, mas a gente fica em choque, né?”, revela.
Moradores não quiseram dar entrevista
A curiosidade para saber o que motivou o incêndio levou os moradores da rua Perimetral a acompanharem os trabalhos de retirada do veículo. “Não estou sabendo porque isso aconteceu. Há um tempo queimaram um ônibus aqui na região, mas foi porque mataram um cara, então, foi uma espécie de revolta, né? Desta vez, qual foi o motivo?”, questionou um morador.
Ao ser informado de que a ação seria um pedido de melhorias para presidiários (em especial para a unidade prisional de Formiga, no Centro-Oeste de Minas Gerais), o morador disse não se recordar de situação semelhante.
Apesar de afirmarem não estar com medo, ninguém do local quis conversar com nossa equipe ou informar o nome. "Medo? Eu não, ônibus não era meu. A gente nem sabe quem são os bandidos”, disse. Outras pessoas se limitaram a dizer que não estavam no local na hora da ação, por volta de 5h30.
As marcas do incêndio estão visíveis no muro da casa do Adriano Patrocínio Cruz. O coletivo estava estacionado bem próximo à residência e as chamas atingiram a fiação. ”Estou sem luz, sem água. Acordei com o fogo intenso. Dentro de casa está pura fuligem”, reclama.
Entenda
Um ônibus e uma pick-up foram completamente destruídos durante a ação, depois que dois homens abordaram o coletivo e atearam fogo no veículo em uma rua de Ibirité. As chamas foram controladas pelo Corpo de Bombeiros e, felizmente, ninguém ficou ferido na ação criminosa.