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A tampa do ralo

Colunista Júlio Couto

Por: Redação
08/01/2025 às 23h25
A tampa do ralo
Júlio Couto é professor na rede pública do estado de Minas Gerais. Graduado em Letras pela PUC Minas.

Rotineiramente a imprensa jornalística tem divulgado informações relacionadas ao impasse entre membros do Congresso Nacional e um ministro do Superior Tribunal Federal que vem barrando as emendas parlamentares que os congressistas têm a disposição para gastarem com suas preferências. O recém-empossado Ministro não está de acordo com os gastos de dinheiro público sem que este montante passe por crivos que apontem aonde e como os recursos estão de fato sendo empregados.

Na atual conjuntura política e as práticas costumeiramente que são exercidas por pessoas que não tem o devido cuidado com o dinheiro público parece ser bastante coerente a intervenção da justiça para que faça valer regras lógicas relacionadas ao emprego daquilo que pertence a todos os brasileiros. Apesar das tais emendas ter sido regulamentadas pelos legisladores e executivo da gestão anterior, esta famosa verba parece não trazer demonstração de clareza no seu direcionamento e também não parece ser tão moral com deveria, pois trata-se de recursos públicos que em tese deve ser utilizado de maneira bem transparente.

A ação do STF tudo indica que esteja ligada a exigência e demonstração de transparência sobre o emprego de fundos públicos. O chamado bloqueio feito pelo magistrado provavelmente ajudará inibir a corrupção por parte de quem administra este montante. Embora seja um magistrado principiante, não completou um ano junto ao STF, o ministro Flávio Dino, diferente de seus pares é o único que já teve atuação destacada em todos os poderes constituídos no Brasil. E esta dura postura do ministro pode estar ligada ao seu grande conhecimento sobre a fragilidade que este dinheiro possui e também como alguns gestores estão rotineiramente envolvidos na prática de mal uso de recurso público.

O objetivo final do ministro Dino pode estar ligado a estratégia política visando os próximos pleitos do comando do mais alto posto do executivo brasileiro ou simplesmente demonstração de força e capacidade como autoridade máxima do judiciário.

Neste sentido, seja qual for o alvo do magistrado, projeção política ou exercício adequado de sua atuação no mais alto poder do judiciário. Sua posição em relação ao impasse do uso das emendas parlamentares serve no mínimo como auxílio a população brasileira a entender que existe uma organização em torno do dinheiro público que pode facilitar e muito a prática de corrupção devido a não transparência sobre o seu gasto.

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