
Quatro anos se passaram desde a tragédia que assolou Santa Maria de Itabira em 21 de fevereiro de 2021. As fortes chuvas provocaram enchentes e deslizamentos que atingiram a cidade como um todo, sem distinção de classe social ou cor. Famílias inteiras perderam seus lares, comerciantes tiveram prejuízos irreparáveis, e até autoridades municipais, incluindo o ex-prefeito Reinaldo das Dores Santos e vereadores, sentiram na pele os impactos do desastre. O momento foi de dor, mas também de solidariedade: vizinhos ajudando vizinhos, desconhecidos estendendo as mãos e a população unida para superar a adversidade.
A cidade seguiu adiante, e agora, sob a gestão do novo prefeito, André Lúcio Torres, ainda enfrenta os desafios da reconstrução. A administração municipal anunciou recentemente o evento Santa Folia 2025, uma iniciativa que busca retomar a cultura e o lazer, mas também levanta questionamentos sobre a efetividade da destinação dos recursos. De acordo com a legislação vigente, verbas destinadas à cultura não podem ser remanejadas para outras áreas, como infraestrutura ou saúde, um ponto de atenção que precisa ser bem compreendido pela população.
No período em que governou, Reinaldo das Dores Santos cancelou diversas edições do Carnaval, alegando dificuldades financeiras agravadas pelas chuvas. Com a chegada da nova gestão, observa-se uma postura diferente, pelo menos neste início, no que diz respeito ao incentivo à cultura. No entanto, ainda há desafios estruturais que não podem ser ignorados, especialmente em relação à prevenção de novos desastres, manutenção de estradas e melhorias nas condições de moradia para os afetados pela tragédia de 2021.
A memória da tragédia permanece viva entre os moradores, e as marcas deixadas pelas águas não são apenas físicas, mas também emocionais. Resta acompanhar de perto os desdobramentos das ações públicas e o comprometimento da gestão municipal em equilibrar as necessidades de reconstrução com o desenvolvimento social e cultural da cidade.
A tragédia de 2021 deixou marcas profundas em Santa Maria de Itabira, mas também trouxe uma lição valiosa sobre humanidade e união. Naquele momento de dor, ninguém estava sozinho. O desespero deu lugar ao acolhimento, ao abraço sincero de quem estendia a mão sem perguntar a quem. Famílias abriram suas portas para desconhecidos, vizinhos dividiram o pouco que tinham, e a cidade mostrou que, acima de tudo, somos uma única família santamariense.
O tempo passou, as feridas cicatrizaram, mas a essência desse sentimento permaneceu. Cada morador carrega consigo a lembrança não apenas da destruição, mas da força que surgiu depois dela. Embora a vida tenha seguido seu curso e novas dificuldades tenham surgido, uma certeza ficou: quando Santa Maria de Itabira é mencionada, cada um sente um carinho enorme, um orgulho inexplicável de fazer parte dessa terra. O que nos une não são apenas as ruas, os bairros ou as histórias, mas a certeza de que, independentemente das adversidades, seguimos de mãos dadas.
Mais do que reerguer casas, aprendemos a reerguer uns aos outros. Ajudar se tornou parte do cotidiano, e o sentimento de pertencimento se fortaleceu. Santa Maria de Itabira não é apenas um lugar no mapa, é um lar, um abraço coletivo que nos lembra que, nos momentos mais difíceis, foi o amor ao próximo que nos fez continuar.