
A situação envolvendo a comunidade rural do Tatu e a mineradora Prosper Mineração S.A. ganhou contornos ainda mais graves após o envio de um ofício formal à Prefeitura de Santa Maria de Itabira e à Câmara Municipal, denunciando uma série de impactos causados pela atividade minerária na região.
O documento, datado de 28 de março de 2026, foi elaborado pelo Conselho Comunitário Sagrada Família, presidido por Sebastião Bernardo Alves, e protocolado junto ao poder público, cobrando providências urgentes.
No ofício, os moradores relatam que vêm sofrendo constantes transtornos e possíveis violações de normas, decorrentes principalmente do tráfego intenso de caminhões ligados à mineradora.
O documento é direto e detalhado ao apontar os principais problemas enfrentados pela comunidade:
O texto também aponta um ponto sensível: a comunidade afirma que outras localidades recebem mais atenção da mineradora, enquanto o Tatu, mesmo sendo diretamente impactado, não recebe os mesmos serviços de manutenção.
Além dos problemas estruturais, o ofício levanta críticas à atuação econômica da empresa no município.
Segundo o conselho, a mineradora estaria priorizando fornecedores de outras cidades, o que impacta diretamente a economia local e reduz a arrecadação de impostos, como o ISS.
Os moradores também apontam que a concentração de serviços em poucos prestadores prejudica empresas e cooperativas da própria comunidade.
Um dos pontos mais fortes do documento é a imposição de regras diretas à operação da mineradora, caso não haja solução imediata.
Entre as medidas estabelecidas estão:
O documento ainda estabelece que o descumprimento poderá resultar em denúncias formais, acionamento de órgãos competentes e até paralisação de caminhões em situação irregular.
A gravidade da situação levou o tema ao plenário da Câmara Municipal, onde já foi debatido em duas reuniões ordinárias.
Durante as discussões, o vereador Olacir Oliveira (Grilo) propôs a realização de uma reunião entre os parlamentares e os moradores da comunidade.
Segundo o vereador, o clima na localidade é de forte insatisfação, e a população já sinalizou uma medida mais radical:
um manifesto com bloqueio do trânsito dentro da comunidade, caso não haja respostas concretas.
O Conselho Comunitário deu prazo de 15 dias para retorno da mineradora, solicitando ainda a atuação da Prefeitura na fiscalização e no cumprimento das medidas.
O documento também condiciona a retirada das restrições à realização de melhorias efetivas, principalmente na recuperação das vias e adequação das condições de tráfego.
Até o fechamento desta matéria, a Prosper Mineração S.A. não havia se manifestado oficialmente sobre o conteúdo do ofício nem sobre as denúncias apresentadas pela comunidade.
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