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‘O Agente Secreto’ não usou a Lei Rouanet; filme teve apoio do Fundo Setorial do Audiovisual

Longa dirigido por Kleber Mendonça Filho foi alvo de boatos nas redes sociais, mas financiamento ocorreu por meio de edital público do setor audiovisual e coproduções internacionais.

Helton Santos
Por: Helton Santos
13/01/2026 às 07h29
‘O Agente Secreto’ não usou a Lei Rouanet; filme teve apoio do Fundo Setorial do Audiovisual
Na visão da revista “Variety”, Wagner Moura é um dos potenciais indicados à estatueta em 2026 por “O Agente Secreto”.

Após ganhar repercussão nacional e internacional, o filme O Agente Secreto passou a ser citado em publicações nas redes sociais como suposto beneficiário da Lei Rouanet. A informação, no entanto, não procede. A produção não recebeu recursos da Lei Rouanet, mecanismo de incentivo fiscal à cultura, e teve seu financiamento garantido por outras fontes previstas na política pública do audiovisual brasileiro.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o longa foi contemplado com cerca de R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio de um edital público voltado exclusivamente para a produção cinematográfica. O FSA é um fundo específico do setor audiovisual, administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), e funciona de forma diferente da Lei Rouanet.

Desde 2007, a legislação da Lei Rouanet não permite o financiamento de longas-metragens de ficção, restringindo esse mecanismo a outros tipos de projetos culturais. Por isso, filmes de cinema de ficção, como O Agente Secreto, não se enquadram nas regras atuais da lei, o que inviabiliza qualquer captação por esse instrumento.

Além do aporte do FSA, o orçamento total do filme — estimado em aproximadamente R$ 27 milhões — foi complementado por investimentos privados e coproduções internacionais, envolvendo empresas de países como França, Alemanha e Holanda. A combinação de recursos é comum em produções de maior porte e segue práticas consolidadas no cinema nacional e internacional.

A confusão em torno do financiamento ocorre, em grande parte, porque a Lei Rouanet é o mecanismo cultural mais conhecido do público em geral. Especialistas do setor, no entanto, reforçam que associar automaticamente produções audiovisuais à Rouanet é um erro, já que o cinema brasileiro possui linhas próprias de fomento, como o Fundo Setorial do Audiovisual.

Dessa forma, a informação correta é que ‘O Agente Secreto’ não utilizou a Lei Rouanet, tendo sido financiado por um fundo específico do audiovisual e por parcerias privadas, dentro das normas legais vigentes no país.

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