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Após 50 anos, jacutinga volta a ser registrada no Parque Estadual do Rio Doce

Ave ameaçada de extinção reaparece após ação de reintrodução e reforça importância da preservação ambiental em Minas Gerais

Helton Santos
Por: Helton Santos
30/04/2026 às 18h14
Após 50 anos, jacutinga volta a ser registrada no Parque Estadual do Rio Doce
Foto 1 - Registro realizado pelo guarda-parque Neimar Fernandes Domingues Nunes durante monitoramento no Parque Estadual do Rio Doce.

Uma notícia histórica para a biodiversidade mineira: após mais de cinco décadas sem registros, a jacutinga voltou a ser vista no Parque Estadual do Rio Doce (PERD). O reaparecimento da ave, considerada rara e ameaçada de extinção, marca um avanço significativo nas ações de conservação ambiental no estado.

O registro ocorreu poucos dias após a soltura de um grupo da espécie realizada no dia 23 de abril, na região da Ponte Perdida, em Bom Jesus do Galho (MG). A ação faz parte do Projeto Mutum, desenvolvido pela CENIBRA em parceria com a CRAX Brasil.

Desde o início da iniciativa, já foram reintroduzidos 152 indivíduos na natureza, com o objetivo de restabelecer populações de aves ameaçadas em seu habitat natural. A jacutinga, espécie típica da Mata Atlântica, exerce papel fundamental no equilíbrio ecológico, atuando como dispersora de sementes e contribuindo diretamente para a regeneração das florestas.

Apesar da importância ambiental, a espécie ainda enfrenta riscos, principalmente devido a incêndios florestais e à caça ilegal, fatores que levaram à sua redução drástica ao longo dos anos.

Segundo especialistas envolvidos no projeto, a reintrodução da jacutinga é resultado de décadas de pesquisa e dedicação científica. No início, não havia protocolos definidos para reprodução da espécie em cativeiro, o que exigiu observação direta e desenvolvimento de técnicas específicas para garantir sua sobrevivência na natureza.

O Projeto Mutum, ativo desde 1990, já ultrapassa a marca de 500 aves reintroduzidas, abrangendo sete espécies ameaçadas. Atualmente, as ações também contam com áreas de preservação mantidas pela CENIBRA, que funcionam como corredores ecológicos e ampliam as condições de abrigo e deslocamento da fauna.

O retorno da jacutinga ao Parque Estadual do Rio Doce representa não apenas um marco ambiental, mas também um sinal de que esforços contínuos de preservação podem reverter perdas históricas da fauna brasileira.

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